e vice-versa.
-o homem atravessou a estrada em silêncio, as calças sujas. no céu grasnaram patos.
- na mesa três pedras brancas, polidas. tirei uma a uma, o ruído que só as pedras alcançam, nas mãos.
ou melodramáticas e com uma qualquer conclusão moral, como as minhas.
- três mulheres foram mortas hoje pelos seus homens. num só dia.
- -
fartei-me de sair de noite, entrar de noite e não dar pelo dia entretanto. preferia hibernar num canto quente qualquer.
- -
os imigrantes enchem o café, são afinal trabalhadores e suponho que entrem ao trabalho às oito da manhã. hoje chegaram duas carrinhas brancas e eram homens e mulheres, ao todo deviam ser uns quarenta, uma pequena multidão que fala uma língua totalmente irreconhecível para mim. evocámos todas as palavras que conhecíamos da Georgia, do Cáucaso, da Arménia, fomos à raiz das línguas e aos seus afluentes, as influências, conquistas e histórias de dominação. mas eles são isso ainda: desconhecidos trabalhadores migrantes, um pouco andrajosos e felizes, quase todos a fumar antes de desaparecem nas suas latas como peixes na rede. um deles olhava para mim através do vidro embaciado, tinha alguma idade, a suficiente para se estar agora a reformar (uma calma, a cinquenta metros da praia, a casa está bem aquecida e podemos passear, temos televisão, a net, tudo, estou farto de cidade) e pensei que o mundo não é só um mas vários, que cada um deles é um anel de saturno mas que por vezes, raramente, conseguimos alguma chama de contacto.
light gazing, ışığa bakmak
Tuesday, January 14, 2014
as frases são como as pessoas
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