Thursday, January 8, 2015

portas e janelas


ao lado desta está o café da Natália. um travesseiro quentinho... para restabelecer a fé no mundo.

disseram-lhe que conservasse a memória de Paris de há vinte anos, que essa cidade já não existe, que não voltasse. talvez fosse essa a ideia de grande parte da europa ou do mundo ocidental, depois de Bush, das torres gémeas, da emergência dos loucos islâmicos e da última revolução chinesa, desta vez a tomar o mundo de assalto. guardar as cidades em cápsulas do tempo, como a de Paul Revere e de Samuel Adams que foi agora aberta pela primeira vez desde 1795.  parece que deixou de haver história, essa história de Trevelyan, as fontes e os artefactos e objectos, agora que os objectos são reproduzidos aos milhões e invadem os quatro cantos por igual. são como vírus da história. não deve existir área mais corruptível do que a história, sempre elástica para todos os lados, a servir tantos propósitos.

passei a ter receio de referir novos negócios pois em pouco tempo fecham e fica o meu registo deles como se ainda existissem de portas abertas e cheios de clientes. por vezes o mesmo espaço físico é ocupado por uma série de diferentes negócios de que gosto sem saber até quando. é o caso do espaço do que era o restaurante dos fondues suíços, na Torre em Cascais. um blogue como cápsula de tempo. poucas vezes falo mal de alguma coisa, de vez em quando nem isso chega para que me aborreçam. há alguns anos escrevi maravilhas de uma mercearia gourmet no Estoril (talvez onde será agora a Moy Estoril?). a ideia era óptima. no entanto, meses depois da minha opinião, alguém comentou que os donos eram aldrabões e deviam dinheiro a toda a gente. na altura eu talvez não tivesse o anti-spam (outros tempos mais optimistas), mas mesmo que tivesse deixava lá estar o comentário. afinal devia ser verdade pois a loja fechou passado pouco tempo. o problema foi a perseguição que me fizeram os donos da mesma para eu apagar o comentário. a liberdade de expressão e o 'respeitinho', assuntos do dia.

hoje começa às onze da noite na dois a série de Tiago Pereira O Povo que Ainda Canta, um acontecimento. quem somos? somos aqueles. hoje também me lembrei que a botija de água quente era uma garrafa de metal com um forro de crochet colorido feito pela minha avó. há cápsulas de tempo que estão ocultas dentro da rede nervosa da memória. de vez em quando desenterramo-las e olhamos para dentro.

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