light gazing, ışığa bakmak

Friday, July 31, 2009

piñata

"vários condutores têm sido atingidos por pedras na A1 na zona de Fátima"

a aparição está zangada.

antes de me lançar de novo à estrada


varanda sobre a ria de Aveiro, na Barra. como se diz berbigão em linguajar aveirense? as mulheres gordas de culotes chegados para cima dos joelhos, algumas de filhos pequenos às costas, com os braços mergulhados no líquido escuro do pântano. banhistas da barra que deixam trilhos fundos na lama. as arcas do tesouro colhido são de plástico azul vivo.

ria

Thursday, July 30, 2009

"crochet e hortaliça"

-







difícil é chegar ao Buçaco com olhos de Sintra porque as semelhanças são tantas quantas as diferenças. se há semelhança no início, vem depois o contraste na continuação. o Buçaco é um fidalgo de meias rotas. interessante é existir um hotel de cinco estrelas, tal como aquário, num local tão mal tratado, não sei bem por quem, por essa entidade abstracta chamada "estado". já de dedo apontado à igreja em geral, afinal a parte mais negligenciada é a parte do Convento, ermidas e mata, a parte que foi expropriada à Ordem dos Carmelitas Descalços já em 1834. Se o palácio serve bem as cinco estrelas pelo exuberante de uma construção que é afinal tão recente, o património histórico, o Convento de 1634, não tem alegadamente uso prático e talvez a isso se deva o estado de degradação das paredes e da construção em geral.


também no Luso me surpreendeu o contraste entre uma instalação fabril de onde sai a nossa água, um edifício de burguesia vaidosa, o original das termas a caminho de ser Clínica Malo privada com spa e bem estar de luxo, os chalets românticos arruinados e à venda e as construções anónimas de mau gosto que despontam sempre aqui e ali. uma região entre o que podia ser e o que é realmente, o que foi e a renda gasta das polainas.


Tuesday, July 28, 2009

tenebrosa à espera de lente própria


Alocasia Amazonica

ideia repentina

se num quarto-quadrado quatro projectores em cada lado: os feixes de luz cruzam-se. a imagem projectada ainda é a original?

HOME de Ursula Meier


logo de início começa a alusão e depois continua ao longo das imagens. talvez seja assim que se tenha de fazer cinema, como tudo o resto, referência de referência. de resto, o difícil é referir enquanto se cria um novo objecto, o que penso que acontece neste filme. desde Life is a Miracle e a família caótica de Kusturica à beira da linha de ferro aos muitos filmes de planície e milharais americanos, Marilyn na cena da janela, uma das minhas favoritas, todos os filmes de casas fechadas incluindo a casa de Cortazar, o tráfico de Tati e muitas mais, sem acabar, dependendo da memória do cinema de cada um. imagem para ficar: o rapaz que no carro se refresca com uma embalagem de frango congelado.

uma co-produção francesa, suíça e belga, Home não é um filme pretensioso. conta uma história que me fez lembrar -novas alusões- cobaias de laboratório, talvez por influência de "Our Daily Bread", ainda ontem na 2. o mesmo sentimento de impotência perpassa na marcha lenta das grandes máquinas do asfalto, o mesmo movimento que o dos porcos a serem empurrados para um outro compartimento. mas estas cobaias são humanas e, como tal, falam-nos mais ao ouvido. Home, felizmente, passa à frente da experiência sociológica, em voga há algumas décadas, quando Hal tinha voz e as máquinas iam tomar conta do mundo. neste filme o retrato e a viagem são também interiores. se tivesse de fazer uma ligação directa seria mesmo a Jacques Tati. Isabelle Huppert, como sempre, num grande desempenho entre o nonchalant e a escuridão. a ver.

- - -
entrevista com Ursula Meier. (ahah!)

Monday, July 27, 2009

o poder da lisonja (obrigada Berlino)

mato

wash whatever comes to hand, caudalie exfoliating mask, lierac hydra-chrono, anne möller body cream, makeover tv show, oprah, measure and draw floorplan, nail cutting, pile travelling guides, sweep to get by.

Sunday, July 26, 2009

bailarinas

-







After Degas II, Juan Muñoz (1997)

como habitualmente, uma exposição a não perder, até ao final de Agosto. gostei bastante da escolha das obras e dos textos, particularmente do ponto de vista feminino. muito actual, excelente enquadramento. aproveito para deixar uma entrevista ao comissário da exposição, Larys Frogier, na Artes e Leilões. e o artigo na Ípsilon.

Saturday, July 25, 2009

chávenas e pires

-







Portrait of Jacqueline, Julian Schnabel (1984)

capelas

o mercado das ervas aromáticas chega a ser como foi a produção artístico-artesanal durante muitos séculos, anónima. rótulo manuscrito.

hoje

"hoje, mal Myriam se levante, pensará, de facto, na estrutura do poema-poente enquanto põe a mesa para o café; com o cabelo espalhado sobre os olhos - e o seu ar de harmonia franzina -, quem diria que é Myriam que ali está?; será o que lhe há-de soprar ao ouvido de Hölderlin - que ainda se encontra dentro dela -, e que ela vê com ternura, e por um caminho ladeado de barreiras: erro humano num copo de cristal. Tudo se irá passar então em fases berves,
fazendo rodar o poliedro do tempo."

Maria Gabriela LLansol, in Hölder, de Hölderlin

e a Kidzania

para começar com o que não gostei, tenho de falar do único espaço de comidas e bebidas (da Delta cafés) que deixa a desejar. em dias de enchente nem quero pensar como será. o que gostei, tudo o resto. tal como pensava, este complexo de actividades é destinado a crianças um pouco mais velhas, por volta dos sete, oito ou mais, porque podem tirar maior proveito das actividades. o que não quer dizer que os mais pequenos não se divirtam, há várias áreas a pensar neles. a sala mais almejada: a dos pais, com sofás, televisão e acesso à internet. os mais pequenos são obrigatoriamente acompanhados pelos pais e não será muito bom, mesmo lá dentro, deixá-los sozinhos. os mais velhos podem ser simplesmente largados à porta e recolhidos à hora de fecho que durante a semana é às seis da tarde. enquanto isso os pais podem deliciar-se nas compras no que é, ou dizem que é, o maior shopping deste lado da Europa.

em geral achei muito educativo. os miúdos curiosos aproveitam mais, os que querem gastar os kidzos mais do que ganhá-los a trabalhar aproveitam menos, como na vida. algumas actividades ainda fechadas para desgosto da pequenada: a pizzaria e a escola de culinária, o avião, a fábrica do pão (pequenada e respectiva mãe, diga-se). na Kidzania é sempre noite. não há luz natural e o céu tem sempre estrelas. pessoalmente achei negativo mas para o pequeno foi um ponto a favor, sair à noite e fazer o que fazem os crescidos. o nível de ruído da cidade devia ser furiosamente controlado, aposto que é o mesmo do de uma obra. as actividades estão muito bem pensadas, como todo o projecto, a decoração e cenário são excelentes. muitos milhares de crianças vão passar por aqui. eu tive de jurar a pés juntos que vamos regressar em breve.


largo principal

vê-se bem o que é. e a quantidade de gente a querer lá trabalhar!

Teatro Nacional. em cena, por actores e miúdos, Pinóquio. um bom teatro, bem conseguido, o edifício e a peça.

fábrica de gelados da Olá

escola de pintura

o dentista

autocarro

redacção do jornal

o tribunal (devia ser aqui que estavam os políticos. não vi, curiosamente, a Câmara Municipal)

sala de espera do hospital

no largo central

o estúdio de televisão

o espaço dos mais pequenos, até aos quatro anos.


a livraria estava muito pouco concorrida e biblioteca pública não notei que houvesse. o melhor de todos, na minha opinião muito subjectiva, a estação de rádio. se eu fosse miúda, onde ia? à escola de pintura e ao jornal, mas vá-se lá saber. a questão é mais curvilínea do que parece.

mato urbano (4) ou a vida no subúrbio

mato urbano (3)

Friday, July 24, 2009

mato urbano (2)

.


mato urbano (1)

-


"a weaker beer for the nuns"

“Here already (the water of the river) is near the building. It fills the boiler. And it gives up itself to the fire which cooks, to prepare the drink of the monks” (anonymous, thirteenth century, describing the abbey of Clairvaux)

In the Middle Ages, the Church, with a certain opportunism, adopted beer, a popular and profitable drink. This was to attract moneyless pilgrims, and also provide a healthy drink to the tenants of its abbeys, the monks. Indeed, it was not unusual that water, even coming from a source, became contaminated in various ways. Beer, needing the water to be boiled, constituted a drink which was easy to manufacture and rather healthy from a biological point of view.

Over the centuries, the quality of beer improved so much so that it brought fame to the convents which manufactured it. It is estimated that in the year 1000, there were approximately 500 monastic breweries.

Monastic beer is the fruit of a long transmission of father brewer to father brewer, and of continuous improvement, rigorously cited in the writings of the monks.

Saint Benedict himself wrote that monks must produce themselves all that they need to live, and evoked the moderate consumption of wine for the monks. However, not everyone could produce wine, because a number of monasteries were established in areas unfavorable to vineyards. Thus, wine remained a product mostly reserved for visitors of prestige, and the monks quickly understood they had to make a daily substitute: barley beer, which was easier to produce. Beer requires mainly only water and cereals, which can be found under all latitudes. In addition, the cereals can be stored and the beer can thus be manufactured, upon request, almost in any season.

Thus, the detailed plan of the abbey of St. Gall in Switzerland, from the ninth century, indicates the presence of three breweries inside this convent and brings a lot of technical information on the brewery installations. Three beers were brewed in this abbey: the “PRIMA melior” reserved for the hosts of mark, the “cervisia” reserved for the brothers, and the “tertia”, consumed by pilgrims.

One also credits the monks with discovering the use of hops in beer, and also of the production of the first beers of low fermentation, according to documents of the fifteenth century discovered in a Bavarian convent of Munich. The hopped barley beer (cervesia lupulina) appears for the first time in a charter of the abbey of St-Denis during the year 768. It’s the Benedictines who introduced the manufacture of hopped beer in Lorraine (France). One then distinguished beer for the fathers (potio fortis), strong beer intended for the monks, and a weaker beer for the nuns.

It is through centuries of tradition, improvement, and innovation that one can consider that the monks had a major influence in the evolution of the trade of brewer.



and more. depois de Praga na rota da cerveja.

Wednesday, July 22, 2009

ramekin

também isto, até porque gostei da fotografia. será que posso juntar Larry Clark e ainda ter um conjunto. divague-se sobre a compatibilidade. as cadeiras e as doenças alheias, a sinfonia e a inutilidade dos jogos, distribuir medalhas vagas e saber daquele comboio a que horas. a sala está coberta de brinquedos. talvez o oposto de branco seja o amarelo, se pensaste no preto primeiro. ultimamente a pesar noções em jeito de miligramas. estaladas só com pelica ou atiradas em anagrama. ou seja, numa pessoa só todas as incompatibilidades são possíveis.

pós-modernismo, pós-organicismo, barroco tecnológico

muitíssimo interessante.

"Whadda ya hear! Whadda ya say! "

do filme Angels with Dirty Faces. tantas coisas familiares, talvez porque Michael Curtis, anteriormente Mihály Kertész, também realizou Casablanca. ("To play Rocky, James Cagney drew on his memories of growing up in New York's Hell's Kitchen. His main inspiration was a drug-addicted pimp who stood on a street corner all day hitching his trousers, twitching his neck, and repeating, "Whadda ya hear! Whadda ya say!" Those mannerisms came back to haunt Cagney. He later wrote in his autobiography, "I did those gestures maybe six times in the picture. That was over thirty years ago - and the impressionists have been doing me doing him ever since." , da wiki). como dizem, um clássico. realismo moralista.

Tuesday, July 21, 2009

Soufflé de Gruyère e Parmesão



o quê: 1/4 chávena manteiga, 5 colheres sopa de farinha, pitada de pimenta de caiena e pitada de noz moscada, 1 1/4 chávena leite, 1/4 chávena vinho branco, 6 ovos, 1 colher de café de sal, 1 pitada de pimenta preta, 1 1/4 chávena Gruyère ralado, 1/4 Parmesão ralado

como: Ligar o forno a 180º. Untar as chávenas com manteiga e depois polvilhar com Parmesão. Derreter a manteiga. Juntar a farinha, a caiena e a noz moscada e cozinhar até borbulhar, 1 minuto. Juntar gradualmente o leite e o vinho branco. Cozinhar mexendo sempre até estar macio e homogéneo, dois minutos. Retirar do lume e juntar as 6 gemas, sal e pimenta. Juntar então os queijos. Bater as claras em castelo e envolver. Deitar nas chávenas e polvilhar com mais Gruyère. Levar ao forno cerca de 25 minutos.

Monday, July 20, 2009

rainha santa

Saturday, July 18, 2009

chamam-lhe Rota dos Sabores

e o nome assenta às mil maravilhas. em dia final dentro de outra muralha, a de Estremoz, para onde várias vozes me encomendaram o mercado. paralela à fila das velharias - chaves, lanternas, tesouras, pratos, ferrugem - estavam os verdes e a fruta que eu procurava. dois sacos de ervas, um ramo de orégãos frescos por meio euro (e agora?), e um saco das melhores pêras que me lembro desde que as apanhava empoleirada nos ramos. pêras e maçãs minúsculas que o pequeno instalou no banco de trás com maior voracidade do que a das batatas mcdonalds. não sei como se chamam, mas garanto que fiquei feliz com o fim dos tamanhos-de-pacote da Europa. talvez agora se possa voltar a comer fruta verdadeira. dois momentos que guardo: a mão enrugada que me escolheu com cuidado a melhor fruta e a paisagem estranha que junta no mesmo quadro uma colina de pedra e as suas árvores-guindaste ao mármore branco do cemitério. por ali correm à solta os cavalos ciganos.


depois do autêntico foi tempo para a novidade, o restaurante Alzulaich. instalado num solar restaurado e transformado em hotel de cinco estrelas, como vim a descobrir depois do almoço na minha onda de deixa-cá-ver, aqui reencontrei o tinto Monte Seis Reis, servido a copo como vinho da casa, muitíssimo agradável. a refeição foi servida no alpendre do jardim, amena e pela fresca, com o marulhar da água a cair na piscina ao pé. todos os pormenores são perfeitos mas a comida reflete a decoração: afrancesada com salpicos de tradicional português. devo dizer que a combinação acaba por resultar bem e o preço não é um delírio como em alguns locais da capital. do paté de cogumelos e do azeite com orégãos ao magret de pato, cheguei à miscelânea de sobremesas pronta para a sesta. nas sobremesas, de novo, esperava mais alentejano e menos internacional, mas o que estava era excelente. um local vivamente aconselhado a casais românticos, gourmets e amantes da boa vida e do detalhe. tal como o Monte dos Seis Reis, este local sinaliza uma nova vida para o Alentejo que corre serena e em paralelo aos costumes antigos. na saída, o travo frutado da saudade.







Monte dos Seis Reis

depois de Mondovino e de umas visitas muito longínquas às congéneres do norte da Califórnia, era uma lacuna não ter visitado uma adega. calhou o Monte Seis Reis. a oferta é agora muita, ao contrário do que acontecia há apenas uma década, nesta zona de Estremoz-Borba-Redondo, bem como mais a norte.

a primeira impressão é excelente. chega-se ao edifício da adega através dos campos de vinha, a paisagem só por si vale o passeio. o Monte Seis Reis é um local perfeito para visitar, nada está esquecido até ao mais minúsculo pormenor, uma característica que me fala alto. é-se bem recebido, a visita está bem pensada, vê-se absolutamente tudo, as perguntas todas respondidas, prendinha no fim, simpatia. há uma exposição preparada sobre o trabalho da vinha, uma sobre a história da marca, uma sala de exposições em que um artista expõe gratuitamente (novo artista cada dois meses), sala de provas, sala de jantar, sala para grandes festas, uma loja bonita. e a visita é gratuita. subitamente lembrei-me da única coisa a faltar: uma pequena esplanada e máquina de café para nos sentarmos de frente para a vinha (uma oferta de prova, um queijo da zona?), mas isso já faz parte dos meus vícios.

visita-se ainda a adega, o tegão, pode-se ver a máquina de vindima, o sistema de engarrafamento e rotulagem, o laboratório, é possível seguir todo o processo, mesmo durante o tempo de vindima. deste local as garrafas saem prontas para ser vendidas, é tudo feito aqui. grande parteda produção é já exportada. o que me impressionou mais que tudo foi o tempo record em que tudo foi feito. a marca existe há menos de cinco anos, a vinha há menos de dez numa quinta antiga que era de olival. uma pequena grande casa de 25 pessoas e 50 hectares e a capacidade de produzir 700.000 garrafas.

as estrelas do Monte são duas monocastas, a Touriga Nacional e o Syrah, este último já com uma medalha de ouro. e há já uma parede de prémios. agora só me falta beber o vinho.









 
Share