Monday, October 31, 2011

realmente


o 'debate' de ideias deixou de me interessar há dois anos, talvez mesmo há quatro.

"Na Unesco já estão de pleno direito e ainda bem. Na Europa, a França votou pela adesão, a Alemanha contra... e Portugal absteve-se, em nome de uma Europa que desistiu de existir numa questão de Justiça e Direito." diz Miguel Portas sobre a adesão da Palestina à Unesco. e isto... vergonhoso. o que faz a Unesco? terrorismo, deve ser: "Contribute to the building of a culture of peace, the eradication of poverty, sustainable development and intercultural dialogue through education, the sciences, culture, communication and information."

o que detesto? xenofobia e preconceito.

amanhã as pevides da abóbora irão para o forno. esta noite é de Tim Burton e foi de Night Before Christmas. rever velhos amigos também foi muito bom, mesmo depois de um dos mais longos dias do ano.

Sunday, October 30, 2011

Tintin


é preciso começar aqui: o momento em que surge o Licorne, nas vagas de um oceano revolto (que se transforma a partir das areias do deserto) é um dos momentos mais espectaculares que vi do mar e de embarcações seja através de que meio, imagens escritas,desenhadas, em movimento, pintadas ou até sonoras. se bem que o navio de Haddock, ferrugento e labiríntico, é já um prazer marítimo indescritível.

Awesome, mom! o que pode ser dito deste filme, de um modo objectivo, está dito aqui. é verdade que deste lado se confundem linguagens do mesmo modo que eu própria confundi, no que foi mais um dos vários choques culturais que sofri na vida, verificar que apesar de pensar que o ocidente era todo o mesmo, o outro lado do Atlântico está à mesma distância cultural da Europa que o Sudoeste asiático. Quem não cresceu com o Tintim, os cromos, os livros, as séries da televisão? Spielberg traduziu a linguagem europeia de há algumas décadas para a linguagem norte-americana de hoje. Desejar que ele fale com uma língua que não é sua e que esteja num contexto que não é seu é uma impossibilidade (como o crítico do Expresso que dá uma estrela a este filme). Estes são dois Tintins, duas realidades com contextos diferentes, um pouco como a discussão papel vs. electrónico, em que se assumem visões dramáticas e apocalípticas do mundo, desfasadas da realidade. Felizmente, tudo subsiste e convive, tudo se altera ao mesmo tempo-

um blogue para ir seguindo o destino desta trilogia anunciada, que se compara já, em $$ - afinal o que interessa para a indústria, a Avatar. não duvido que serei espectadora dos filmes que se seguem. aliás, e pelo duplo álibi-condenação 'mãe', não devo ter perdido muitos filmes dos que vão surgindo, seja de onde for, para crianças. Em geral, representam o melhor que é possível fazer com a incrível tecnologia de hoje e são ironicamente mais sofisticados e subtis do que os seus primos destinados a adultos. os blockbusters parecem feitos para quem sofra de paralisia das células pensantes, enfim...

era capaz de voltar à sala de cinema para ver outra vez a imagem daquele Licorne surgir das vagas. mas por enquanto, relembramos os livros (it's a comic book, like batman. sim, mas não é um herói daqui -aponto o músculo do braço, é um herói daqui , e aponto a cabeça. acho que não foi mal dito.)


Saturday, October 29, 2011

Friday, October 28, 2011

"e, como tantas vezes acontece, Deus quer, o homem sonha, a obra nasce das mãos das mulheres."

quase todos os dias tenho o prazer de ler os lúcidos Dois Dedos de Conversa, da Helena. até apetece dizer obrigada.

Thursday, October 27, 2011

s/n

postal

"A rapariga ao passar reparou primeiro na renda
branca sobressainte da gorjeira metálica forrada a vermelho veludo.
Logo se prendeu ao oval do rosto, aos lábios que
querem romper em frase da vida nunca separada. E
disse a rapariga "hás-de extraviar-te nos céus
sem que vez alguma eu possa estar ao teu lado."
Quando terminou a visita comprou-o em postal.
João Miguel Fernandes Jorge, "Retrato de Jovem Cavaleiro" em Museu das Janelas Verdes, citado por M. Avelar em Ekphrasis, o Poeta no atelier do artista.

bosun's chair

é cadeira de mastro.

sentados na cadeira de mastro vamos estando nós, ao sabor dos ventos e pedindo intimamente que os cabos não dêem de si. --pensando que a finança é a nova igreja universal e que, como tal, volta a existir a necessidade de separar o poder desta igreja do poder do estado.

Wednesday, October 26, 2011

fazer

chá.

'intimate impasse of the speculative mind'

"One response to the collapse of philosophical system building in the nineteenth century was the rise of ideologies— aggressively anti-philosophical systems of thought,taking the form of various "positive" or descriptive sciences of man. Comte, Marx, Freud, and the pioneer figures of anthopology, sociology, and linguistics immediately come to mind.

Another response to the debacle was a new kind of philosophizing: personal (even autobiographical), aphoristic, lyrical, anti-systematic. Its foremost examples: Kierkegaard, Nietzsche, and Wittgenstein.
Cioran is the most distinguished figure in this tradition writing today.

The starting point for this modern post-philosophic tradition of philosophizing is the awareness that the traditional forms of philosophical discourse have been broken. What remain as leading possibilities are mutilated, incomplete discourse (the aphorism, the note or jotting) or discourse that has risked metamorphosis into other forms (the parable, the poem, the philosophical tale, the critical exegesis).

Cioran has, apparently, chosen the essay form. (...) But these are curious essays, by ordinary standards - meditative, disjunctive in argument, essencially aphoristic in style. One recognizes, in this Rumanian-born writer who studied philosophy at the University of Bucarest and who has lived in France since 1937 and writes in French, the convulsive manner of German neo-philosophical thinking, whose motto is: aphorism or eternity. (Cf. the philisophical aphorisms of Lichtenberg, Novalis, Nietzsche, passages in Rilke's Duino Elegies, and Kafka's Reflections on Sin, Pain, Hope, and the True Way.)

Cioran's broken arguments are not the "objective" kind of aphoristic writing of a La Rochefoucauld or a Gracián, whose stopping and starting movement mirrors the disjunctive aspects of "the world". Rather, it bears witness to the most intimate impasse of the speculative mind, moving outward only to be checked and broken off by the complexity of its own stance. Not so much a principle of reality as a principle of knowing: namely, that it's the destiny of every profound idea to be chackmated by another idea which it implicitly generated."


na introdução a Temptation to Exist, de Cioran, por Susan Sontag.

Searching for Cioran

Searching for Cioran

Tuesday, October 25, 2011

s/n

A Poesia Vai Acabar
Manuel António Pina

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

uma colecção de nostalgias

"Irony has many meanings in literature, and the irony of one age is rarely the irony of another. My experience of imaginative writing is that it always possesses some degree of irony, which is what Oscar Wilde meant when he warned that all bad poetry is sincere. But irony is not the condition of literary language itself, and meaning is not always a wandering exile. Irony broadly means saying one thing and meaning another, sometimes even the opposite of what is being said. Mann's irony is frequently a subtle kind of parody, but the reader open to The Magic Mountain will find it a novel of gentle high seriousness, and ultimately a work of great passion, intellectual and emotional.

Mann's wonderful story now primarily offers not irony nor parody, but a loving vision of reality now vanished, of a European high culture now forever gone, the culture of Goethe and of Freud. In 2000, a reader must experience The Magic Mountain as a historical novel, the monument of a lost humanism. Published in 1924, the novel portrays the Europe that was to begin to break apart in World War I, the catastrophe that Hans Castorp descends his Magic Mountain in order to join. Much of humanistic culture survived the great war, but Mann prophetically senses the Nazi horror that was to take power a short decade after his novel's appearance. Where Mann may have intended a loving parody of European culture, the counterironies of change, time, and destruction make The Magic Mountain, in the year 2000, an immensely poignant study of the nostalgias."

H. Bloom em How to Read and Why

- -
saber que Nostalgia vai estar num grande ecrã e eu não vou poder lá estar. ainda dentro da temporada ccb, recordo a primeira vez que ouvi Louis Lortie, em casa, e o comentário da altura. dizer adeus à Montanha não é fácil.

design

Grandpa's Office

como vejo, design e a arquitectura, ou ideias puras, mostras de museu. talvez por ter relido a realidade platónica, a verdade, talvez pela literatura ou pelas cozinhas de 'Pater', pelas imagens desta roadtrip, prefiro sempre os escritórios como este, a estas revistas. até aqui não seria mais do que gosto, mas -quem vive onde, como vive. aí há algum espaço para pensar.

Monday, October 24, 2011

tempo para

beber chá.

Sunday, October 23, 2011

Pater


quando saio da sala sei que está a chover lá fora. coincidência, o filme cor-de-rosa que passa na 1 àquela hora. os políticos de outra cinderela, os políticos de Cavalier, o político Strauss-Kahn.

a chuva forte chegou agora, neste momento.

isto não é real, é um filme. se é um filme, é real. para terminar o filme, talvez não propriamente deste modo, a palavra é vrai, mas neste sentido. desde Irène que este é o meu cinema.

nas primeiras imagens de Pater, várias iguarias são colocadas no prato com mil cuidados, a cozinha é um lugar recorrente, mas ninguém cozinha nunca, tudo está feito. cortadas e servidas são as palavras, a receita é a da estratégia política. uma comédia tão hilariante como assustadora que leva à última consequência essa ideia de que um político não passa de um homem como os outros e que se serve do desejo voyeur de saber o quotidiano dos poderosos, o que fazem por detrás da cortina.

onde está a realidade, actores, realizador, personagens sem fronteiras definidas, para reflectir sobre si e construir possibilidades de real, tantas vezes mais credíveis do que o noticiário. não posso deixar de pensar nas semelhanças com Film Socialisme mas de um modo oposto, se isso é possível, um oposto tão semelhante como a tragédia e a comédia. (I had studied Greek tragedy, American thrillers. I was influenced by films like Renoir’s ‘Partie de campagne’ and John Huston’s ‘Asphalt Jungle.’ Now I want to forget all that.”)

subjective cinema. gostaria de encontrar na escrita um Alain Cavalier. ou Kiarostami.

bica

s/n


cool needles

To Mark Rothko of Untitled (Blue, Green), 1969
Anne Cherner Whitehouse

Never this scratched world, its human
brows like dry point, your harmonies
are liquid glycerin, soothing,
the lingering bath. Who knew
better than you, Mark Rothko:
color has not root nor core.
Into each other at the first
kiss fusing, a metamorphosis!
Blue paint laps about our toes,
our skin is going deep deep green -
the wild smell, the spruce,
the evergreen pricking its cool needles.

não devia dizer isto

mas não resisto a um certo orgulho de clã: a juíza que enviou Isaltino para onde é suposto estar-- é minha prima.

Saturday, October 22, 2011

Sirmione

às margens do Garda doce regressava Catullo, à casa de família, meio século antes do anno domini. no poema 64, Ariadne lamenta a sua sorte. a história longa destes escritos, dois mil anos - idade aproximada da shp7 no Nevada, é frequentemente tão ou mais interessante do que os próprios textos. a escrita que se imagina solitária -clichés- o indivíduo sentado frente ao papel branco, é uma adulteração de dois milénios, desvios, acidentes, modas. através dos véus enigmáticos do tempo, descobre-se Ariadne tão real hoje como então.

There, in palace center, stands the goddess' wedding bed,
bright white with Indic ivory, its cover colored crimson
by dye, rose-red, from the shells of the sea.

50
This cloth, adorned with humanity's pristine images,
shows with stunning art the greatness of heroes.
Yes, looking out from the surf-booming shore of island Dia--
at Theseus departing with his swift fleet--is gazing
Ariadne, carrying uncontrollable rage in her heart.
55
Not yet does she believe she sees what she sees--
since she, just then first aroused from treacherous sleep,
discovers herself abandoned, pitiful, on lonely sand.
Yet, unmindful, the youth pushes the waves with his oars;
escaping; leaving his worthless word to the laughing gale.
60
The Minoan girl, at seaweed's edge, stares far, far out at him
with suffering eyes. Like a Bacchante's stone statue she stares out--
how sad!--and she swirls in great billows of hurt:
blond hair not in place under delicate scarf,
bosom not covered by thin outer dress,
65
milk-white breasts not bound under smooth inner dress.
All cloth, from her whole body fallen,
the salt tide sports with at her feet.

- -
também em português.

Ana

Vidigal, amei.



blogue, FB  (que visitava na Primeira Avenida)

despedida e aparições

quase dois meses, desde 5 de Setembro, em que convivi com o improvável herói de Berghof. das listas de temas normalmente evocados, das impressões iniciais, não sobra muito. o que começa por ser uma viagem quase pícara a uma memória de três semanas, acaba por se tornar no grande tratado, um documento, de um final. uma colecção metódica e grandiosa dos bens de alguém cuja morte está anunciada. agora poderei voltar, de fugida, às cartas.

ontem- à excepção das duas lâmpadas sobre o altar, a iluminação da capela era assegurada por iluminação amiga do ambiente. variadas conclusões poderiam ser daqui retiradas.

o que dizer perante a alucinação mais desvairada? para além do espanto, serve-me para rever passados, algumas vidas mais proveitosas do que outras. ao almoço, contava-me como tinha inventado aparições e como os mais rijos homens tremiam de medo. rimos. julgarmos que, por algum motivo, valemos mais do que uma azeda (neste esquema hierárquico que criámos para justificar a nossa mesquinhez), é já de si uma enorme ilusão.

Friday, October 21, 2011

Thursday, October 20, 2011

nada

me parece mais assustador do que os movimentos de grandes multidões. gostaria de conciliar as incongruências entre o conceito de democracia e aplicações à partida menos políticas como o marketing ou o crowd management.

viagens


Crise. Preços sobrem, cortes nos ordenados, corte nos subsidios. E as férias? as viagens? como estão os vossos planos para os próximos tempos?

Continuo com os mesmos planos para viajar
Pretendo viajar, mas terei de repensar as viagens
Viagens, nos próximos tempos só mesmo pela internet.
Vou viajar, vou. Mas só com bilhete de ida...



pergunta da edreams no facebook, possivelmente em reposicionamento de estratégia. outras viagens: a Ostende via Hippolyte Bayard. as de Andres Gonzalez, via Seesaw Mag.

"The passenger steps out onto the overcast deck and remembers a line. Soft was the sun. The wind to his back, he is facing the stern and an endless trail of thoughts drifting away from him towards the horizon. He wants no words, only to enjoy the delicate anticipation of a moment waiting to reveal itself. What are the limits of language? This is the mind, felt, not spoken. He makes a photograph of a seagull, and does not resist the emotion that brings.


There is a town passing by on the starboard side of the ship, the mind-boggling, awe-inspiring, crazy-making, world of people. He is happy for the distance, but knows that the idea of separation is an illusion. Everything exists according to the laws of nature. There is a core, it seems. The sea turns grey for a moment, the lights from the town slowly dimming, overtaken by fog. He makes another photograph of the fading light, the soft presence of time. The ship begins to slow, ahead a port, another journey."

ou de Ida Borg. antevejo com ansiedade a possibilidade de ver Pater por um lado, e a segunda parte das naturezas-mortas na Gulbenkian. num mundo expansivo e sofisticadamente inatingível, a última opção pode ser olhar intimamente, baixar a escala até que seja impossível avistar o todo ou até uma parte coerente. talvez daí esse sentimento de estranheza ou de estrangement. por exemplo (em Temporarily Deranged)

Tuesday, October 18, 2011

"livid faces dazed by the magnesium flare"


hipstaface

..."now and again one of these would assume the proportions of a craze, and subordinate everything to itself. Old residents experienced the periodic revival of more than one of these fads. So for instance amateur photography, always playing an important rôle at the Berghof, had twice become a perfect mania, lasting weeks and months on end. Everywhere one saw people absorbedly bent over cameras supported in the pit or their stomachs, focusing and snapping the shutter; and floods of snapshots were handed round at table. It became a point of honour to do the developing oneself. The supply of dark-rooms in the establishment was not sufficient, the bedroom windows and doors were draped with black cloth, and people busied themselves by dim red lights over chemical baths, until something caught fire, the Bulgarian student at the “good” Russian table was nearly reduced to ashes, and a prohibitory decree went forth from the management. Next they tired of ordinary photography, the fashion veered to flashlights and colour photography after Lumière. They were enthusiastic over groups of people with startled, staring eyes in livid faces dazed by the magnesium flare, resembling the corpses of the murdered set upright."
na Montanha Mágica.

downloading

modzilla thunderbird. por falar* em  leguminosas, as estrelas deste inverno (do nosso descontentamento): swedish yellow pea soup, para experimentar. por outro lado. tenho procurado mantas de trapo. as de Minde, tão perto mas tão longe. as da Audhild Viken, semelhantes. algumas da Rosa Pomar. tive duas mas perderam-se. o outlook já era. thank goodness for open source.

numa altura

em que sou dirigida aos primórdios da mimesis, isto veio mesmo a calhar.
na recta final da Montanha Mágica, em que me preparo para partir de Mann, das suas ilusões e contenções, do virtuosismo manipulador. e dele levo muitos souvenirs.

Monday, October 17, 2011

imuno deficiência social

deslindar as dívidas, feijão por bife, andar a pé, ir ao restante gratuito, dar emprestar vender, produtos brancos, da receita levar metade, roupa indispensável, as máquinas aguentam, couves no quintal, frasco das moedas, canais cancelados, o ginásio e as actividades, praia e praia, reciclar à força, fugir à portagem, fugir à viagem, nem chupas nem chicletes, mandar curriculos, fechar a luz, fazer à mão, saldos descontos ofertas brindes. há muitos graus nas mudanças, despedimentos, prejuízo, quem fica e quem vai. no pequeno comércio a decisão de mandar alguém para casa, alguém com quem se divide o dia há muitos anos, pode ser a última hipótese e aguenta-se, tenta-se resistir a esta doença da imunidade em que o estado se vira contra quem é suposto proteger ou melhor, servir. emprestas-me... ? uma nova vaga de pobreza, vítimas de circunstâncias longínquas, de sistemas desconhecidos em que, momentaneamente, se depositou confiança. afinal o que penso é que os indignados são poucos e a indignação pequena para a hipocrisia de um sistema que gera bolhas sobre bolhas de inexistências. a ideia de impotência, que é sabida mas posta de lado, assim como saber que se morre mas não se pensar nisso, por fim às claras. pisamos territórios novos.

por outro lado, há muitos outros locais no planeta que olham de cima para este estrebuchar, e ainda mais que olham de baixo com desejo. ficamos-nos com a traição.

José Bandeira


eu tu nós vós eles.  cartoon de José Bandeira, excelentíssimo.

Saturday, October 15, 2011

mudança

de paralelo.

Friday, October 14, 2011

s/n












s/n






s/n



nas United Bakeries dentro do centro Peléet, neste caso fora, na esplanada. em Oslo comi o melhor pão que já alguma vez comi na vida.

s/n

Thursday, October 13, 2011

Skål

ainda bem que tinha experimentado a aquavit norueguesa, sempre atenuou o choque.

Wednesday, October 12, 2011

s/n


Den Norske Opera & Ballett

self

doloroso

é ouvir: and why are we a maritime country?

s/n

em cento e uma pessoas sou a única portuguesa. numa indústria que funciona around the clock, como gosta de se auto-rever, os seus intervenientes são multi-culturais e diversos. quarenta e oito por cento são mulheres. a formação é extensa e exigente, prefere-se quem seja formado em duas áreas distintas mas que se complementem, por exemplo direito e engenharia. confirmo várias ideias que tinha anteriormente, especialmente aquela em que sempre acreditei - o contacto directo com o outro -no sentido oposto ao da palavra estrangeiro- é como beber água fresca.

falar com alguém da Suiça sobre as razões de não terem entrado no euro, alguém de Londres sobre a Madeira, a rapariga de Moscovo que morre de frio em Oslo, quantas horas de dia no Inverno - das onze às três da tarde, pergunto à rapariga chinesa se tem irmãos sem ter tempo para segurar as palavras, e se a empresa estiver em falência, pergunta alguém da Grécia, apropriadamente. a corretora do Kuwait, a única de túnica e com a cabeça coberta, nas Filipinas estão quase mais dez graus do que em Portugal. muitos foram ou querem ir ao Algarve (há karaoke?). o vosso prato nacional vem daqui afinal.

e parece que os bilhetes para os Olímpicos estão esgotados.

basicamente:

brrr

s/n

Tuesday, October 11, 2011

o meu

northernmost point. (Oslo lies on the same latitude as Saint Petersburg, Anchorage in Alaska and Kap Farvel in Greenland.)

s/n


yes-no

s/n

s/n

doze graus

era o maior desejo, mesmo assim dois graus acima do esperado. não quero ir para o sul no Inverno mas raptar saudades, quando possível, a norte. the crisp fall air. embora este imenso espaço seja verde nórdico, muitas das árvores são decíduas e as suas manchas amarelas enchem os passeios. fora da cidade muitas destas árvores são já esqueleto, algumas vermelho vivo ainda. o ar é limpo.


de cima, Portugal está envolto em névoa branca. de cima é possível ver as notícias televisivas (duzentos fogos num dia), de cima vêem-se os pontos de onde crescem longos mantos brancos e como todos se somam e lançam um véu que nos oculta. um país pobre, deprimido, envolto em névoa.

alguns pontos em comum, nestas cidades a norte -Oslo, Copenhaga, Hamburgo - um novo e monumental edifício para a ópera, à beira da água, e uma, ou várias, zonas de desenvolvimento urbanístico que espelham  ideias de vida sustentável, agradável,arquitectura surpreendente de dimensão humana, longe das demarcações americanas. em vez delas, um espaço que é em simultâneo  de lazer, de trabalho e de habitação. o mesmo vi em Mälmo, na zona do turning torso, ali sem a ópera. em Lisboa, substituiu-se o belo canto pelo oceanário, como em Barcelona.



Oslofjorden




tos-and-fros



Monday, October 10, 2011

incêndios

à passagem por Espinho a estrada quase desaparecia em fumo. soube depois, um incêndio gigantesco no concelho de Gondomar. as rádios entretêm-se com 'análises' e com o 'rescaldo' das jogadas políticas enquanto o martírio do património natural passa em nota de rodapé. à tarde, o céu da Foz escurecia.

a luz mudou finalmente.

Settembrini, o austero, e Naphta, sentado nas suas sedas enquanto prega o comunismo, ambos tão veementes -são um lembrete sobre a natureza da verdade, a inexistente.

s/n

s/n


em Leixões

 
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