Gallup, again.
Thursday, March 31, 2011
desgarrada (2)
esta sem legenda.
depois de reparar que sempre que passo por Setúbal regresso com a ideia: tenho de ver aquilo melhor, seja qual for o aquilo. como dizer, tenho de tirar aquela imagem, podem ser tantas, em particular a que julgo ser o verdadeiro ex-libris da cidade -o grelhador na orla do passeio, que a Arrábida ultrapassa a cidade, estende-se pela costa e até Azeitão por herdades e recantos de diferentes estações, quente e fruta. a mesma serra que se deixa violar todos os dias pela indústria do pó de cimento e pelos seus veículos pesados, poeira barulho fumos de escape.
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TAGS Photos
desgarrada (1)
ou o factor (olha!) enquanto se desce a rua olhando as fachadas e os estendais. desde o parque relvado na rua da Saúde, passando pelo porto de pesca, cheio àquela hora da manhã -uma mulher só. -cortar para o largo José Afonso e cruzar a avenida. meter mais à frente pela António Maria Eusébio onde está um santuário com porta de alumínio, ou ferro pintado de cinzento. a montra da loja de cosméticos tem nome de beldade oriental mas é uma virgem que está na montra, a eterna nuvem a pairar um pouco acima da cabeça.
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Systems, what a great show
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TAGS A arte pela arte
humor
calha ser ouvinte de João Paulo Meneses por volta das três da tarde e com ele viajo ou vou sabendo de propostas fora do comum para questões de sempre (com mais crença ou sem crença nenhuma, o que pouco interessa). ou seja: em geral, cinco estrelas. admirada fiquei com a noção de humor de um senhor [convidado] que é suposto ensinar filosofia prática às crianças. exemplo um: Nietzsche dizia que se fores ter com uma mulher não te esqueças do chicote. e ria! dois, a propósito de marketing e ética: um não sei quem em vez de reparar o elevador forrou-o de espelhos e assim as senhoras já não se queixavam da lentidão. OMG. ainda bem que não sou "senhora" (sou gaja, tipa, mulher, ela) assim como este "senhor", que para além de abusivo, não tem ideia do que é humor. U. Católica de Braga... nem me admira.
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TAGS Portugal é um país de, Stuff
Wednesday, March 30, 2011
areia
"He was afraid of being lost, so he repeated trail marks to himself: this is my mouth tasting the salt of her brown breasts; this is my voice calling out to her. He eased himself deeper within her and felt the warmth close around him like river sand, softly giving way under foot, then closing firmly around the ankle in cloudy warm water. But he did not get lost, and he smiled at her as she held his hips and pulled him closer. He let the motion carry him, and he could feel the momentum within, at first almost imperceptible, gathering in his belly. When it came, it was the edge of a steep riverbank crumbling under the downpour until suddenly it all broke loose and collapsed into itself.", Leslie Marmon Silko em Ceremony.
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entrada do Sado com algumas nuvens
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TAGS Photos
Tuesday, March 29, 2011
Ondine
porque me lembro exactamente de quando a ouvi a primeira vez e como. Ondine ou Undine, a mulher que vive nas águas, úm mito, lenda, ficção popular que se diz surge na Idade Média numa história de Paracelso sobre a qual e sobre quem gostaria de saber mais, e que foi retomada, como tantas outras lendas que entraram na moda durante o romantismo, no início de oitocentos. essa é a história desta ninfa das águas doces e basta um salto à wikipedia para a encontrar em todas as artes, incluindo um filme desgraçado de 2009 do qual não deve haver muito a dizer. a associação das águas cristalinas dos riachos da floresta à imagem feminina, fugidia e pura, é muito mais antiga do que a idade média, bastando lembrar as Naiades gregas. assim esta figura juvenil e fugaz é quase tão antiga como a humanidade. das representações mais recentes, tendo em conta o rasto temporal, é precisamente nas interpretações de Pogorelich que melhor vislumbro Ondine, a brincar entre as cascatas.
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pacote
aqui há tempos acompanhei as angústias e alegrias de um coleccionador de pacotes de açúcar. se tivesse sido história estaria agora a chegar a um pico de tragédia.
o século passado foi demasiado extremado em tudo. virar para este lado deu a sensação de vazio semelhante
à que se sente quando se guia a toda a pressa numa estrada que sobe a pique para depois descer. nas vidas de Leslie Marmon Silko, e a sua agressividade; a de Paula Gunn Allen, e a sua agressividade; a de Else Lasker-Schüler que hoje tem um memorial alado em Jerusalém. a qwiki é interessante e lembra a tal célebre cena, com a sua voz feminina robotizada. deste lado, já depois de as mulheres terem entrado para o campo de batalha. e depois de se ter assumido que o discurso é totalmente distinto, quase sempre oposto, da realidade. houve muitos visionários destes cenários conspiradores, mas produziram só versões pálidas. ["No-fly zone: Clouding words of war: The West has used euphemism to deny a state of war against Gaddafi under the guise of a humanitarian mission.", na Al Jazeera; "Bruxelas trava auditoria às contas públicas de Portugal, na RTP; "SECURITY COUNCIL APPROVES ‘NO-FLY ZONE’ OVER LIBYA, AUTHORIZING ‘ALL NECESSARY MEASURES’ TO PROTECT CIVILIANS, no site da UN e o sublinhado foi meu; "Votámos contra o PEC porque não foi tão longe quanto devia”, P. Coelho no Diário Económico; "Moody's accused of issuing inflated ratings", no site da Reuters em 2009]. vivemos na mentira.
'Ancient rock art in Tadrart Acacus in Libya'
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firebird
Pássaro de Fogo aos 42m11. mas é escusado saltar, todo o programa é inacreditável. Boulez, a Sinfónica de Chicago, até a sala de Colónia. o programa condiz com os melhores dos melhores. só fiquei admirada por vê-lo aqui, versão completa. Christine Schäfer, a soprano alemã que nunca tinha ouvido. Como não conhecia Le Jet d'Eau, de Debussy, tecendo a música sobre o poema de Baudelaire.
Le Jet d'eau
Tes beaux yeux sont las, pauvre amante!
Reste longtemps, sans les rouvrir,
Dans cette pose nonchalante
Où t'a surprise le plaisir.
Dans la cour le jet d'eau qui jase,
Et ne se tait ni nuit ni jour,
Entretient doucement l'extase
Où ce soir m'a plongé l'amour.
La gerbe épanouie
En mille fleurs,
Où Phoebé réjouie
Met ses couleurs,
Tombe comme une pluie
De larges pleurs.
Ainsi ton âme qu'incendie
L'éclair brûlant des voluptés
S'élance, rapide et hardie,
Vers les vastes cieux enchantés.
Puis elle s'épanche, mourante,
En un flot de triste langueur,
Qui par une invisible pente
Descend jusqu'au fond de mon coeur.
La gerbe épanouie
En mille fleurs,
Où Phoebé réjouie
Met ses couleurs,
Tombe comme une pluie
De larges pleurs.
Ô toi, que la nuit rend si belle,
Qu'il m'est doux, penché vers tes seins,
D'écouter la plainte éternelle
Qui sanglote dans les bassins!
Lune, eau sonore, nuit bénie,
Arbres qui frissonnez autour,
Votre pure mélancolie
Est le miroir de mon amour.
La gerbe épanouie
En mille fleurs,
Où Phoebé réjouie
Met ses couleurs,
Tombe comme une pluie
De larges pleurs.
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Monday, March 28, 2011
Laguna Pueblo

photo by Alan Whiteside.
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para sobremesa
uma outra versão de banana bread. chocolate nozes limão.
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TAGS casa de pasto
Brescia
quando cada cidade tem um ou vários sons. em Brescia fala Bazzini e dançam os seus goblins. por Vengerov. por Menuhin. por Itzhak Perlman.
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TAGS it11, O espaço entre as notas
Bigger Than Life, Nicholas Ray
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cinema
depois do Prado e na antecipação de novas incursões aos primórdios do cinema que sempre foi a pintura, ainda cruzando com a função (por vezes) ou o valor quase físico da 'história' como ficção, story, -Damien Ucieda pode bem ser um dos mais significativos. até porque de mais em mais desgosto do tecnicismo sem fundamento, ética, história, revelação ou missão. (criar com o próprio corpo, à custa de si próprio)
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11:48 AM
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TAGS photographers
Gallup
"Gallup was that kind of place, interesting, even funny as long as you were just passing through, the way the white tourists did driving down 66, stopping to see the Indian souvenirs. But if you were an Indian, you attended to business and then left, and you were never in that town after dark. That was the warning the old Zunis, and Hopis, and Navajos had about Gallup. The safest way was to avoid bad places after dark.", Silko em Ceremony. quando lá passei, vi só pawn shop, pawn shop, after pawn shop. o que era um sinal de pobreza. mais pawnshops maior a miséria dessa cidade. Gallup, a primeira cidade branca quando se sai da grande reserva. quando os novos compradores de ouro chegaram a Lisboa, não pude deixar de me lembrar de Main Street, Gallup.
Heather's pic: "Gallup New Mexico, An Indian Paradise"
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12:55 AM
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TAGS Leslie Marmon Silko, Stuff
Sunday, March 27, 2011
imaginary home
a de paredes e algumas coisas que mudam pouco. e as muitas que vou vendo no tempo. de repente cheguei a perceber que é nestas que habito. não sei como outras pessoas ocupam o espaço - assim ocupo o meu, metade futuros, metade lembranças, mas a matemática pode estar errada. outra coisa não seria de esperar de quem vive também em tantos Imaginary Places.
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11:14 PM
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TAGS Biblioteca de Babel, Stuff
grizzly boy
ou duas versões de uma história semelhante.
esta, parte de Ceremony de Leslie Marmon Silko.
He was a small child
leraning to get around
by himself.
His family went by wagon
into the mountains near
Fluted Rock.
It was Fall and
they were picking piñons.
I guess he just wandered away
trying to follow his brothers and sisters
into the trees.
His aunt thought he was with his mother,
and she thought he was with her sister.
When they tracked him the next day
his tracks went into the canyon
near the place which belonged
to the bears. They went
as far as they could
to the place
where no human
could go beyond,
and his little footprints
were mixed in with bear tracks.
So they sent word for this medicine man
to come. He knew how
to call the child back again.
There wasn't much time.
The medicine man was running, and his
assistants followed behind him.
They all wore bearweed
tied at their wrists and ankles
and around their necks.
He grunted loudly and scratched on the ground in front of him
he kept watching the entrance of the bear cave.
He grunted and made a low growling sound.
Pretty soon the little bears came out
because he was making mother bear sounds.
He grunted and growled a little more
and then the child came out.
He was already walking like his sisters
he was already crawling on the ground.
They couldn't just grab the child
They couldn't simply take him back
because he would be in between forever
and probably he would die.
They had to call him
step by step the medicine man
brought the child back.
So, long time ago
they got him back again
but he wasn't quite the same
after that
not like the other children.
- -
e a de Jackie Morris
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10:52 PM
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sand painting
afinal como nós, a um mesmo tempo herança-identidade, ícone de significados esvaziados (uma espécie de chop suey, ou de bolonhesa) e fonte de subsistência.
assim, nos verdadeiros ritos, a areia é dispersa quase depois de terminada a cerimónia pelo seu suposto poder negativo. não deve restar nada dentro da casa onde foi feita a pintura. o souvenir comprável é o oposto: preserva-se o desenho para durar, para ser um objecto de posse. de certo modo esta diferença diz tudo sobre ambos os modos de olhar a mesma realidade palpável. [que não haja dúvida: não vou a meio da vida -ponto de vista optimista- abraçar uma qualquer outra religião ou mundividência. olhar a mesma coisa sabendo mais, ver vários sentidos no mesmo objecto. afinal talvez o propósito da viagem)
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9:35 PM
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Saturday, March 26, 2011
lemon scones
esta manhã foram estes da Soule Mamma, acrescentei sal e ficaram demasiado fofos para scone. falta a crítica, vão para provas esta tarde. talvez experimente estes amanhã, mas com mel substituindo o açúcar, metade da farinha integral e alguma coisa para o crunch. continuando Ceremony, de Marmon Silko.
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11:19 AM
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TAGS casa de pasto, Leslie Marmon Silko, native american literature
Friday, March 25, 2011
cabazes biológicos em Lisboa
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TAGS casa de pasto, Ecos, Stuff
storytelling e as quatro funções do mito
"A myth is a traditional story passed down through generations to explain something about why the world is the way it is. A myth generally presents the views of the cultural group that creates it. A creation myth explains how the universe, the earth, and life began. Concisely stated, a myth must instill awe, explain the world, support customs, and guide people. These are known as the "four functions" of a myth.", as quatro funções do mito [nativo-americano] nesta aula.
Native American storytelling: a reader of myths and legends, de Karl Kroeber.
não conhecia Karl Kroeber e afinal gostaria de ler mais.
"In the hundreds of Indian stories I have studied, I have never encountered a single case of ennui."
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Thursday, March 24, 2011
para o dia mundial do teatro
bem possível uma celebração: "Total fearlessness is not a requirement for embarking on an acting career. But it is definitely a necessity for essaying the role of the dying gorgon Flora Goforth", diz-se aqui do papel de Eunice Muñoz em The Milk Train doesn's Stop Here Anymore, em português, O Comboio da Madrugada, no TEC. para os lados de Santos, melhor é ir ver - à borla, note-se, borlio - A Herança Maldita, de Augusto Boal.
Flora, que também já foi... Elizabeth Taylor.
e a citação do costume deste Milk Train: "All cruel people describe themselves as paragons of frankness!"
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11:34 PM
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TAGS teatro
Pietro Bigaglia
na Enciclopédia dos Pisa-papéis vem a história dos Bigaglia, família a que se chama 'longa linha de artesãos', trabalhadores do vidro em Veneza. talvez o mais ilustre tenha sido Pietro Bigaglia que, em meados dos anos oitocentos, restaurou a arte de latticino, ou filigrana de vidro, uma técnica descrita na Enciclopédia das Técnicas do Vidro, aqui.
Pietro foi representante da Câmara do Comércio da sua cidade no reinado dos Habsburgos austríacos, com quem foi obrigado a conviver. Veneza morria já então.
há uma teoria que passou a mito urbano, ou seja, cochicho do povo: um bater de asa de borboleta num canto do mundo pode soprar brisas em locais inimagináveis. assim sucede por vezes. o filho de Pietro, mestre da filigrana e do vidro, chamou-se Nicola, o arquitecto responsável, entre outros projectos, pelo Palácio Val Flor, em Lisboa, e pela Casa dos Cedros, no Buçaco. Nicola foi ainda colega do professor Bordalo Pinheiro, na Escola Afonso Domingues em Lisboa. ambos ensinavam a disciplina de Desenho.

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commuter car radio
ou nas ondas radiofónicas no casa trabalho escola casa por aí fora. os cinco pilares do reiki:
Do not be angry,
Do not worry,
Be grateful,
Work with diligence,
Be kind to people.
assim de repente não me pareceu mal.
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TAGS Stuff
Wednesday, March 23, 2011
cera
abri um tubo de cera em creme, laranja e com consistência de doce. lembrava-me madeira agora cheira-me mais a químicos desconhecidos, se penso um bocado. os soalhos eram enormes, de pranchas maciças de madeira que continuavam pela casa, de quarto para quarto, usados e pesados. ela começava de manhã. tinha uns trapos que punha debaixo dos joelhos e não usava luvas. espalhava a cera em cada centímetro de área, do princípio ao fim da casa, durante umas horas, talvez toda a manhã. e por todo o lado se espalhava este cheiro que para mim era de madeira. de tarde puxava o lustro, como se dizia, uma missão que fazia quase à bruta. as janelas abertas davam para o palácio e para as árvores que desciam até à correnteza.
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TAGS Stuff
vintage photography
nem tinha pensado nisso, e nas ondas de fotógrafos descobertos do anonimato através das redes sociais. há muitos mais nos baús, a par com os objectos vintage, recheios de casa cujos viventes já não são, por vezes até apodrecendo entre potes e panelas silenciosos. as fotos fora de moda estão por aí, encontrando público e clientes na rede, as mesmas que -suponho- encontrava em caixotes nas feiras de velharias como a que havia -há- no Terreiro do Paço aos fins-de-semana.
Nikolai Kossikoff chegou-me por esse novo meio, a anamorfose belga: com as suas fotos modernistas de portos e navios. (em cima, os Ginastas Nus de Josef Bayer.)
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TAGS photographers, Stuff
Tuesday, March 22, 2011
"cette odeur de charcuterie"
quando isto por vezes não passa de um freak-show com olhos duvidosos que espreitam para dar a dentada da sua porção de vida, sanguessugando. pode ser tão nobre: a divulgação; ou tão ético: a partilha. ou tão pré-rafaelita. uma escolha viável é não ficar muito tempo nessas dúvidas de método ou de encenação-
em Ceremony [outra noção de faceless, de matar alguém que tem um rosto, humano ou não. o antigo sacrifício, mesmo o sacrifício mais recente, não será mais humano do que a matança sem rosto que nos alimenta?]. ler Ceremony como outras obras deste currículo pode não ensinar nada, como pode ser usado para uma espécie de iniciação à chamada espiritualidade, a que entra pela ideia de wholesomeness ou que valha, sintonias e inner cores, mas decerto relembra factos simples e desabitados.
"In the old way of warfare, you couldn't kill another human being in battle without knowing it, without seeing the result, because even a wounded deer that got up and ran again left great clogs of lung blood or spilled guts on the ground. That way the hunter knew it would die. Human beings were no different. But the old man would not have believed white warfare - killing across great distances without knowing who or how many had died. It was all too alien to comprehend, the mortars and big guns; and even if he could have taken the old man to see the target areas, even if he could have led him through the fallen jungle trees and muddy craters of torn earth to show him the dead, the old man would not have believed anything so monstrous."
Maupassant chorava perdas no La Vie Errante.
"Dans cette chaleur, dans cette poussière, dans cette puanteur, dans cette foule de populaire en goguette et en transpiration, dans ces papiers gras traînant et voltigeant partout, dans cette odeur de charcuterie et de vin répandu sur les bancs, dans ces haleines de trois cent mille bouches soufflant le relent de leurs nourritures [e aqui lembrei-me do paquete de Film Socialisme, às tantas a queixar-se da mesma coisa], dans le coudoiement, dans le frôlement, dans l’emmêlement de toute cette chair échauffée, dans cette sueur confondue de tous les peuples semant leurs puces sur les sièges et par les chemins, je trouvais bien légitime qu’on allât manger une fois ou deux, avec dégoût et curiosité, la cuisine de cantine des gargotiers aériens, mais je jugeais stupéfiant qu’on pût dîner, tous les soirs, dans cette crasse et dans cette cohue, comme le faisait la bonne société, la société délicate, la société d’élite, la société fine et maniérée qui, d’ordinaire, a des nausées devant le peuple qui peine et sent la fatigue humaine.
Cela prouve d’ailleurs, d’une façon définitive, le triomphe complet de la démocratie.
(...)
Je ne protesterais nullement d’ailleurs contre l’avènement et le règne des savants scientifiques, si la nature de leur œuvre et de leurs découvertes ne me contraignait de constater que ce sont, avant tout, des savants de commerce.
Ce n’est pas leur faute, peut-être. Mais on dirait que le cours de l’esprit humain s’endigue entre deux urailles qu’on ne franchira plus : l’industrie et la vente
---
assim acabando a alma humana no coração de Maupassant que, logo de seguida, foge para Itália e de barco recorta a costa até Florença. quase ontem ouvimos The Ice Bear. e entretanto desligo tudo menos o silêncio que ficou depois de uma tempestade ter ribombado a passar com pressa na direcção da serra.
depois de não haver meio de olhar para o lado, o que é inacreditável é que se diga 'vamos salvar' so-and-so precisamente antes de lançar dezenas de mísseis sobre esses que se estão a salvar; que se declare no-fly-zone o espaço que se utiliza para levar a cabo o salvamento. porque sempre que se acreditou em palavras, quaisquer que fossem para além da ficção que se diz ficção logo à cabeça (estou aqui a inventar, isto é mentira, é uma história que inventei enquanto movia paperclips de um lado para o outro na secretária, ou mesmo enquanto dormia, mas dei-lhe um final mais confortável) - seguiu-se a queda. -do paraíso talvez.
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TAGS Biblioteca de Babel, kiddos, Leslie Marmon Silko, native american literature, Stuff
Paula Estevan, de Acoma
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TAGS cerâmica
do Québec
e em francês, a colecção À tous les vents. excelente.
(Maupassant!)
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TAGS Biblioteca de Babel
Monday, March 21, 2011
Reg Butler

Figure in Space, 1962-3
Reg Butler, daqui.
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TAGS A arte pela arte
para Junho
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TAGS bookstores, Paris11
the best
por oitenta e oito cêntimos americanos, chegou Native American Literatures que dá um salto geográfico no quarto capítulo. para perspectivar o outro é necessário saber quem se é, aparentemente.
"Historically, questions of who and what constitute the best authors and literary texts have pivoted around discussions about the interaction between the good (ethics), the true (metaphysics and physics), and the beautiful (aesthetics). If an appropriate interaction between the good, the true, and the beautiful is not realized in a work of art, excesses occur. Too close attention to the good, for example, often produces dogmatism. Over attention on the true fosters the pedantic.And belief that art exists for its own sake often creates disassociation from social interchange. Elitism frequently results, with the attendant division between high and low culture. (...)
(...) "'Each epoch favors a certain genre' [Ortega y Gasset]. Often, literary history is the story of such favoritism: from myth (the story of the gods); to epic (the story of culture heroes); to tragey (the story of noble characters whose poor choices eventuate in catastrophe); to comedy (a narrrative that discloses the follies of human beings who eventually recognize their frailties and make positive change); and so forth. Not that any era does not produce a variety of genre, however, but that each epoch seems to favor a certain genre - often in connection with particular philosophic presumptions or preoccupations of the times.
The twentieth century, for example, could be called the age of the novel."
Suzanne Lundquist em Native American Literatures, an Introduction.
um tipo de colecção, ou de lanterna para andar no escuro.
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Anna Maria Maiolino



da série Indicios, ou Indexes.
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TAGS A arte pela arte
fim

ou depois de: no Mälmo Konsthall, novas imagens de László Moholy-Nagy.
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Saturday, March 19, 2011
caças
a ideia de caças franceses a sobrevoar a Líbia enoja-me. a ideia de caças líbios a sobrevoar a Líbia enoja-me também.
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Friday, March 18, 2011
quantas festinhas em duas semanas
uma por criança, tantas nasceram este mês de Março, início da Primavera. ainda a sair da evasão da leitura e a falar de como é engraçado as estações serem para os índios como um círculo e que regressam de cada vez. não são nada, mãe, uma linha e depois outra e outra e outra e fazia os gestos no ar porque via tudo tão claro.
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TAGS kiddos
Thursday, March 17, 2011
princípio e fim
no final, mesmo que indianizado por Neihardt:
"I did not know then how much was ended. When I look back now from this high hill of my old age, I can still see the butchered women and children lying heaped and scattered all along the crooked gulch as plain as when I saw them with eyes still young. And I can see that something else died there in the bloody mud, and was buried in the blizzard. A people's dream died there. It was a beautiful dream."
e no início: "It is the story of all life that is holy and is good to tell, and of us two-leggeds sharing in it with the four-leggeds and the wings of the air and all green things; for these are children of one mother and their father is one Spirit."
mulheres: "The woman is the life of the flowering tree, but the man must feed and care for it. One of the virgins also carried the flowering stick, another carried the pipe which gives peace, a third bore the herb of healing and the fourth held the sacred hoop; for all these powers together are women's power."
real/sombra: "I looked about me and could see that what we then were doing was like a shadow cast upon the earth from yonder vision in the heavens, so bright it was and clear. I knew the real was yonder and the darkened dream of it was here."
em Black Elk Speaks.
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TAGS Biblioteca de Babel, Black Elk, native american literature
Wednesday, March 16, 2011
circle
no fim de Black Elk Speaks, a história estranha no sentido do outro e clara, num universo onde os vários elementos se equilibravam. histórias assimiladas hoje e ocidentalizadas para nelas caber tudo, até souvenirs. uma grande parte do que é dito soa em cadência, em ritmo de ritual, com as mesmas expressões para o que dizemos numa palavra, repetindo as palavras como o universo repete tudo dentro do seu círculo.
"After the heyoka ceremony, I came to live here where I am now between Wounded Knee Creek and Grass Creek. Others came too, and we made these little gray houses of logs that you see, and they are square. It is a bad way to live, for there can be no power in a square.
You have noticed that everything an Indian does is in a circle, and that is because the Power of the World always works in circles, and everything tries to be round. In the old days when we were a strong and happy people, all our power came to us from the sacred hoop of the nation, and so long as the hoop was unbroken, the people flourished. The flowering tree was the living center of the hoop, and the circle of the four quarters nourished it. The east gave peace and light, the south gave warmth, the west gave rain, and the north with its cold and mighty wind gave strength and endurance. This knowledge came to us from the outer world with our religion. Everything the Power of the World does is done in a circle. The sky is round, and I have heard that the earth is round like a ball, and so are all the stars. The wind, in its greatest power, whirls. Birds make their nests in circles, for theirs is the same religion as ours. The sun comes forth and goes down again in a circle. The moon does the same, and both are round. Even the seasons form a great circle in their changing, and always come back again to where they were. The life of a man is a circle from childhood to childhood, and so it is in everything where power moves. Our tepees were round like the nests of birds, and these were always set in a circle, the nation's hoop, a nest of many nests, where the Great Spirit meant for us to hatch our children."
(daqui)
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TAGS Biblioteca de Babel, Black Elk, native american literature
Tuesday, March 15, 2011
s/n
há poucas palavras para a catástrofe que se desenrola dia após dia no Japão, talvez a maior a que assisti depois de adulta. angústia. ("things they have taken for granted can quickly slip beyond their reach.")
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Ana Vicente
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Katsushika Hokusai
Complete Works
Museu Hokusai, em Obuse.
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Ana Vicente
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TAGS A arte pela arte
Little Dieter Needs to Fly, Werner Herzog
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Ana Vicente
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Monday, March 14, 2011
L'Ordre, Jean-Daniel Pollet
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TAGS Biblioteca de Babel
admirar
intensamente o povo japonês. com um passo atrás de reserva.
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Ana Vicente
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Sunday, March 13, 2011
Méditerranée, Jean-Daniel Pollet
de Jean-Daniel Pollet e Volker Schlöndorff, com texto de Philippe Sollers.
Méditerranée
Philippe Sollers
Une mémoire inconnue fuit obstinément vers des époques de plus en plus lointaines.
L’impression d’ancienneté augmente.
Pays multiples faussement endormis.
Et tout à l’air réglé du dehors infailliblement.
Et toujours cette montée d’immensité à l’intérieur,
cette montée de mémoire flottante.
On croit retrouver, survoler dans le noir un lieu d’autrefois.
On y est, maintenant, on y marche.
Une nuit, un aveuglement croissant.
Est-ce par là que l’on doit entrer ? est-ce là que l’on habitait sans le savoir ?
Un endroit où l’on aimait se cacher, s’arrêter.
Tout se fait horizon, tout se rapproche, tout se hante.
Sommeil par effacement, région des passages et des doubles et des choses vues sans vision.
Cependant en retrait, derrière le rideau, où il est encore interdit d’aller, l’accumulation de mémoire se poursuit, monotone, ancienne.
Un spectacle dont on sait bien, pourtant, qu’il ne viendra pas du dehors.
Tout doit changer de dimension, la moindre chose, ailleurs, est aussi vaste que la plus vaste.
Cela continue depuis des milliers d’années, on est pris dans ce théâtre de milliers d’années.
On est dans ce travail millénaire, incessant, l’une après l’autre les pièces du jeu sont reprises, elles seront relancées, autres et les mêmes, de la même façon et différemment.
Tandis que très haut, échappant au jeu, on dirait qu’un silence massif indique le nord.
Rien n’est fermé, bien sûr, dans ce glissement sourd.
Mais si l’on était regardé, conduit progressivement en aveugle à travers chaque première vision erronée.
Mais si non pas seulement un témoin mais une foule invisible vous regardait.
Si, en même temps, quelque part, dans un quelque part inimaginable, quelqu’un se mettait tranquillement à vous remplacer.
Si les rôles étaient redistribués.
Rien n’est fermé dans ce glissement dont la blancheur s’assourdit, s’accentue, chaque surface possible ici devient transparente, ouvre sur des tableaux imprévus, oubliés, ramenés en silence par cette mer blanche.
Tableaux ramenés et lentement rapprochés les uns des autres, emboîtés les uns dans les autres, silencieusement.
Si en même temps quelque part, quelqu’un se mettait tranquillement à vous remplacer.
Rien n’est fermé, dans ce glissement sourd,
on est dans son reflux.
Les pièces du jeu sont reprises, elles seront relancées, autres et les mêmes, de la même façon et différemment.
Dans cette oscillation, cette marge, à nouveau l’indication aveugle que la moindre choses est aussi vaste que la plus vaste.
Que le point de vue se situe également partout.
Tableaux ramenés et lentement rapprochés les uns des autres, emboîtés les uns dans les autres,
silencieusement.
Avec la sûreté de l’habitude, de la distraction.
L’accumulation de mémoire se poursuit, monotone.
Mais si l’on était regardé,
rien ne parle plus,
mais c’est une sorte de parole tacite, arrêtée, endormie juste avant la parole
qui ne peut traverser ce champ où elle est freinée.
Parole enfermée, basculant en surface.
Au vu de toute une foule calme, invisible.
Douleur dissimulée dans des paysages qu’on traverse sans pouvoir les atteindre.
Au vu de toute une foule calme, invisible.
Conduit progressivement en aveugle à travers chaque première vision erronée.
Douleur dissimulée dans des paysages qu’on traverse sans pouvoir les atteindre.
Le rapport se fait plus étroit, plus rapide.
Eléments neutres, se tressant et se refermant avec une acuité décisive,
évoluant ensemble vers un accord contrarié et sourd.
On est maintenant de plus en plus remplacé par un mouvement clair et sûr.
Le trait est tiré, derrière le rideau, où il est encore interdit d’aller, dans le suspens de la conjonction, de la juxtaposition finale.
Rien ne parle plus.
Contre toute attente, un reflux irrésistible, un recommencement plus lointain,
le mouvement, décollé de lui-même, distribue maintenant les distances et les rôles, de l’autre côté, continue dans la trame sa fonction inlassable.
Aujourd’hui, autrefois, ailleurs.
Tandis qu’une clarté, un réveil aveuglant, déborde et recouvre tout en silence, où l’on n’est plus qu’un point de plus en plus perdu et lointain.
- - -
(daqui)
os meus sublinhados.
uma viagem de três meses e meio por quinze países.
que gostei de ler: FILMS OF RUIN AND RAPTURE: In Search of Jean-Daniel Pollet de Chris Marke.
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Ana Vicente
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TAGS Biblioteca de Babel, O meu cinema é o meu cinema, Philippe Sollers
Film Socialisme, Jean-Luc Godard
com piada: "Godard is now a strange hybrid — Stan Brakhage crossed with Noam Chomsky." (aqui). e que também gostei de ler. por enquanto, abro o meu espaço para anotar e sublinhar as imagens. sem deixar de pensar que não achava possível juntar o mais transparente retrato deste momento histórico a uma enciclopédica memória visual, histórica, mítica, filosófica. onde está a realidade: o difícil, de novo, é ver o que é (o que é o que é o que é).

imagem daqui.
não deixa de ser irónico que Socialisme esteja em Lisboa apenas no cinema do Corte Inglès, com dois horários, tarde e noite, o que obriga a que se saia do filme quase para retornar ao primeiro andamento (desta ópera): o full-blast do centro comercial. este sítio tão errado também leva vários espectadores a abandonar a sala a meio ('isto tinha cinco estrelas!'). -era necessário um pouco mais de silêncio. o terceiro andamento tem Sebald no background.
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Ana Vicente
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início oficial
das operações de limpeza.
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Ana Vicente
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TAGS Estrela 11, Mulheres, Photos
estrela
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Ana Vicente
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