light gazing, ışığa bakmak

Monday, November 30, 2009

uma antologia

retomando o tema.

da antologia preferi William Kentridge.





geleia de chá

por enquanto apenas consumindo a da Herdade do Negrão. primeiro a de chá de lúcia-lima, agora a de rosmaninho. também a quero, até porque gosto de escolher o chá.


primeira tentativa (daqui): uma colher de sopa de chá, 1 litro de água, 1 saqueta de Pectina e 800g de açúcar.

segunda (daqui): 1 kg de maçã amarga, sumo de um limão pequeno, o mesmo peso em açúcar, 50g de chá.

terceira, a lista de ingredientes da geleia de rosmaninho divina da Quinta do Negrão: caldo de maçã. limão, ervas aromáticas, açúcar e especiarias. (especiarias? imagino que seja canela)

não é?

"Adventures of Perception"

que nunca li mas que quem sabe. uma desculpa para tomar nota do link University of California Press (obrigada Fernando) no dia em que me telefona o Jorge para avisar que a Buchholz vai vender o resto dos livros ao desbarato este Dezembro, antes de fechar de vez. para já, aprendi Fat City de Leonard Gardner. como as cerejas.

Tetro

o que outros pensaram: 1. 2.



apesar dos seus setenta anos e de o chamado regresso de Coppola não ser bem isso (grandes realizadores dessa década, os maiores, ainda felizmente realizando filmes que provam sobre prova sobre prova aos novos que são mestres e porque é que o são), é um filme que quis fazer por seja lá que necessidades de expressão. não há regressos. tenho também algum problema com o escavar auto-biográfico que é costumeiro nestas alturas, e que o próprio incentivou. põe-se tudo de cócoras a descobrir paralelos nos vários elementos da família, quem é quem, será isto ou aquilo, nem sabia que o Nicholas Cage é seu sobrinho. um filme, como o vejo, de certeza com buracos negros imensos de falhas minhas e de vistas curtas, é uma obra acabada, uma coisa redonda que nasce e se desenvolve e acaba em si própria. se gosto de espreitar parentescos é sempre na mesma linguagem, nos outros actos de expressão do autor e na linguagem do cinema, já tão complexa ao fim de relativamente poucos anos de existência.


Tetro é facilmente o melhor filme que vi este ano deste ano. vi filmes melhores, de anos passados, o Persona por exemplo. mas Tetro é um momento que é tudo, que condensa quase tudo o que o cinema pode fazer, imagem, som, fotografia, story-telling, actuação, luzes, teatro, ópera, bailado, tudo condensado na mesma película, no mesmo ficheiro digital, uma obra maior. os seus irmãos são East of Eden (é verdade, Jorge, tentar refazer esse filme parece-me estranho) e On the Waterfront, irmãos mais velhos.

a frase final foi o que me estragou a história, uma frase equivalente a "foram felizes para todo o sempre" e mesmo sabendo que toda a história é uma ficção estética, com os largos movimentos que só se conseguem nas tragédias e na ópera, pensei que esse final não era digno de um herói caído, grego ou não. afinal foi o que não esteve lá, o calcanhar de Aquiles, e o que não faltou a Apocalypse Now, um argumento - o lado da história, a escrita.

todos os actores personagens muito bons, mesmo tendo de partilhar o espaço do ecrã com esse magnet Vincent Gallo. estou certa que quando ele entra na sala o ar congela por si só.



Sunday, November 29, 2009

é água

não é brincadeira

a alteração de venue para a celebração da consoada já me provocou pesadelos.

ombro


assunto enigmático: não sei o que mais gosto de partilhar, se as imagens se as palavras.
as imagens devem ser mais dadas a isto (olha ali!). mas que cansativas.

em sines

Saturday, November 28, 2009

Alberto Korda

que tirou o Che Guevara, mas é Paulita agarrando um pedaço de madeira que carrega no coração.

aqui, uma histórias de histórias do século vinte.

uma neblina fez desaparecer o castelo

e nada do que esteja aqui agora pode superar essa frase.



Santiago do Cacém olhado do hotel Caminhos de Santiago. pode-se olhar pela janela mil vezes e de cada vez as cores são outras. [pintar a chuva] de manhã o branco sujo desfocava tudo.

bom petisco, marisco honesto



só cozinho à segunda e à quarta. dá-me para a semana toda. eram três na mesa mas ouvia só o mais magro. fico entretido, é a melhor parte, o que deduzi ser o tempo da cozedura. e imaginei-o só, na cozinha, e as mãos nodosas a talhar cogumelos e legumes verdes. um homem de colorau, alhos e louro, nada de orégãos frescos mas quem sabe. à sua frente um outro que parecia mais velho, pullover e um certo posicionar do corpo, enviesado, de quem está continuamente a dizer algo extremamente confidencial. aos cantos da sala, três homens comem sozinhos e entreolham-se de soslaio. uma confirmação: estás aí ainda, és como eu, talvez sejas eu mesmo.

marisco honesto e caldeirada dita caseira, algumas dúzias de gemas no balcão das sobremesas, em estrada mal marcada entre o mar, as escarpas e o areal de São Torpes. ao fundo as plumas de carvão a abrir caminho no cinzento das nuvens.

Friday, November 27, 2009

ana ni ana sim

Joe de Richard Serra por Hiroshi Sugimoto.






com alguma polémica. a polémica não me diz muita coisa, as imagens sim. e assim sem grande compromisso nem solenidade: há sítios que gostava de visitar. em dia ésse.

Thursday, November 26, 2009

hooked on.. listas listas

dos twittering auteurs: a lista dos 10 favoritos de Jarmush. como se diz, dois em silêncio e todos a preto e branco.

01 L'ATALANTE Jean Vigo
02 TOKYO STORY Yasujiro Ozu
03 THEY LIVE BY NIGHT Nicholas Ray
04 BOB LE FLAMBEUR Jean-Pierre Melville
05 SUNRISE: A SONG OF TWO HUMANS F.W. Murnau
06 THE CAMERAMAN Edward Sedgwick
07 MOUCHETTE Robert Bresson
08 SEVEN SAMURAI Akira Kurosawa
09 BROKEN BLOSSOMS D.W. Griffith
10 ROME OPEN CITY Roberto Rossellini

surpreendente. ou não?

unlisted: o meu Top 1, que me lembre agora

Pequeníssimo gesto natalício

Lembro-me do meu filho ser muito pequeno e eu estar muito envolvida no Pequeno Gesto. Nos últimos anos o projecto tem crescido bastante pelas mãos da Sara e de todos que ela tem arrastado no seu entusiasmo. Começou por se apadrinhar meia dúzia de crianças, agora estão voluntários no terreno, há formação da população local, construção de infra-estruturas, um infantário, apoio a crianças desprotegidas, às suas famílias e à comunidade em vários locais na área da Xai Xai. O Pequeno Gesto que começou familiar continuou familiar embora esta família inclua muito mais gente agora. E mesmo assim, há gestos dos mais pequenos que se podem fazer, custo quase zero, um minúsculo empenhamento, e que podem mudar um pouco e por alguns momentos a vida de alguém.

Há algum tempo atrás, a Escolinha do André recebeu um leitor de DVDs. Lá se arranjou alguém que ia para Moçambique e levava o aparelho, lá se arranjou maneira de ligá-lo à televisão que existia na Escolinha, lá se enviaram alguns filmes. E eu não soube avaliar o impacto destas acções de quase nada até ver as imagens no blogue do Pequeno Gesto.





O que proponho é a coisa mais simples do mundo: e que tal pegar naquele filme que já não vê, de preferência para crianças, e enviar directamente e sem mais nada para:

A Escolinha do André
a/c Irmã Isabel Langa
Irmãs Dominicanas Stª. Catarina de Sena
C. Postal 211
Xai Xai - Gaza
Moçambique

acha que faz diferença? o correio, se não me engano, é um euro e cinquenta.

Wednesday, November 25, 2009

"essa tinta de aguarela"

(será que reconhecemos as palavras seja onde for com quem quer que seja?) sei que eu não, nem de caras me recordo. mais de metade do meu trabalho acabou no lixo, diz o Lobo Antunes, mas logo a seguir chama camelos aos jornalistas. assim recebo mais uma lata de tinta e fico a pensar que em vez de tela podia ser banco ou película ou sob holofote e que diferença faria. porque a lua toda nunca brilha senão no poema e nem somos astros (a lua é um astro?). assim quando se diz: conheço-te, quantas partes disso são tuas e quantas são minhas. e quando ouço: já não te conheço, e eu já a ver que a vida não imitou a arte como deve de ser. e depois há quem sente só e mais nada. já pronta a mudar o rumo, desviar queria dizer, o que são palavras sobre palavras sobre palavras.

visto

evacuação de toda a escola: dois minutos.

sem correr.

outra cópia descarada

este fui buscá-lo descaradamente ao blogue bater no cego é pecado, mas justifica-se pois trata-se de Bénédicte Houart. não sei de que livro é nem como se chama.


elas fazem renda até ao fim do mundo
enquanto lançam pragas entre os dentes
e o comboio descarrila de facto, mas
elas continuam de agulhas na mão
pois o mundo não acabou
embora até pareça que sim, mas
nem todos têm o dom de dupla visão
nem todos vêem o fim mais longe do que a desgraça
porque pior que tudo é passar frio e passar fome
pior que tudo é não fazer nada

Bénédicte Houart


e que me esqueci de dizer: as mulheres notam-se na escrita, há um encarar áspero, face-off, como se aquilo estivesse por dizer há tempo mas não havia permissão para o fazer. agora que posso têm de me ouvir. e das rendas e dos interiores caseiros vemos finalmente a outra parte mais sórdida e menos pintura romântica do campo inglês. sarcasmo feito em casa. são milénios de limpar o chão e o ranho das crianças e de limpar e vestir os mortos, de assegurar que a espécie continua e que os machos são criados e enviados para a guerra com boas botas. tenho notado este ajuste de contas na maior parte das women poets ali ao lado. do outro lado do gender gap há talvez o melhor deste volte-face, a mesma serenidade que vi na entrevista de Bergman. liberdade.

perguntas pertinentes

- what don't you like about what is happening right now?

- what do people do to you that you don't like?
- what would you like people to do to you?
- what can people do to make you feel better?
- what makes you happy?

para perguntar a miúdos. mas se for aplicado a adultos também não deixa de ser simpático.

Tuesday, November 24, 2009

a ouvir



a precisar de acreditar em mais alguma coisa e não é do capítulo da transcendência.

Monday, November 23, 2009

e outra

pela continuação da sensação. nos pequenos objectos de dentro, no mundo que erradamente se atribuiu sempre às mulheres. pela mesma razão por que a história não é como nos ensinaram uma sucessão de batalhas heróicas. no forno a lenha está o compêndio quase todo.

Shadow
Jane Urquhart


The sun decides to
enter from the garden

moving on the carpet
he touches all your furniture
crawls under your closet door
investigates your wardrobe

moves his arm across
your memories
substituting light
heat and silence

he erases last year's
conversations with the stars
changes the contents of your mirrors
invents an alternative
palette for your crystal

scrapes his nails across brocade
revealing tangled threads
like contours on a map

he polished your tables
his brilliance clings to cutlery
till spoons become large
bright incisions
all across the grain

a weight of gold and heat
he stops burning
at the flesh of your neck

you are the only shadow in the room.

uma coisa boa logo de manhã

sobre um certo Inverno de Brueghel. primeiro ver este. continuar com este.

e aqui finalmente. (somos tanto sections of a happy moment) e outro..

só numa sala de Lisboa. Tetro em duas.

Pedro Costa, Ne Change Rien.



Sunday, November 22, 2009

A Bicicleta de Faulkner (quando fores velha vais ser uma velha muito esquisita)

(esquisita já sou, quem me dera ser velha).




a pensar que Faulkner tentou uma comédia humana do Mississipi. (e, coincidência, com isto encontrei o meu antigo prof)
agora sem mais parêntesis. de vez em quando faço alguma coisa realmente estimulante, ver Maria do Céu Guerra em palco é sempre isso, uma senhora do teatro [e por falar em senhoras]. os momentos em que actua são um quase abismo em que se vê uma realidade se a realidade existe. conseguir ver profundamente alguém. nesta Bicicleta foi o mesmo. a mãezinha comove profundamente, pelos gestos, a memória, a vida inteira e o presente que conseguiu condensar em todos os momentos de palco. enfrentar-se a si própria no fio da navalha. a minha maior admiração e respeito por momentos de transformação nessa outra pessoa e ainda, por ser possível deste lado da plateia ouvir a mulher que fala e vê-la totalmente, sem artifícios.
o que se passa na Barraca, com Maria do Céu Guerra, costuma ser assim, uma árvore de natal sem enfeites nem dourado nem fitas. a árvore de Giacometti para Godot.

gostei muito da música de Bernardo Sassetti, fantasticamente adequada e evocativa. gostei do cenário de construção e multiplicidade de espaços, sempre um pouco labiríntico embora tenha gostado mais da construção que foi feita para o Inspector. excelente o trabalho de Rita Lello e fantástico o andar citadino decidido de Susana Costa.
o que gostei menos: a cabeleireira, ou seja, o cabelo mais que irritante de Faulkner e que lhe retira toda a hipótese de se parecer, não com a foto do escritor, mas com um escritor. a franja de Claire que interfere às tantas com alguns sentimentos. o que gostei menos ainda, o texto da Bicicleta que tem um Faulkner metido meio à força e que fica aquém, acho, do que se deve ter proposto. não me admira: um texto que se baseia em outro, quando esse outro é tão complexo, dificilmente consegue ganhar espaço de manobra. por mim, o tema da doença de Alzheimer e as três personagens femininas chegavam. mas tendo em conta o texto, Rita Lello e Maria do Céu Guerra, dupla extraordinaire, tiraram tudo o que era possível de lá tirar. uma vénia-longa-muralha-da-china para uma grande actriz.


em nota de rodapé: o café bar do Cinearte deve ser um dos sítios mais agradáveis da cidade de Lisboa.

uma entrevista imperdível com Maria do Céu Guerra (é verdade, que crítico idiota)
aqui, no Rádio Clube, sobre mais um trabalho "sem mácula".

Saturday, November 21, 2009

hopefully

later. ou a caminho de uma certa bicicleta para os lados da Barraca.

INTERVIEWER
Do you ever read mystery stories?
FAULKNER
I read Simenon because he reminds me something of Chekhov.

(numa entrevista extensa na Paris Review)



bolo em camadas

a convite de Andrzej Wajda. comédia satírica tão in-character com o povo polaco. descritivo que encontrei por aí: "The story of a racing car driver who undergoes so many transplants that it can no longer be determined which people have contributed to his make-up. " sem esquecer que a história é de Stanislaw Lem.










e aqui.

Friday, November 20, 2009

Amarcord!

Bergman on Fellini
"We were supposed to collaborate once, and along with Kurosawa make one love story each for a movie produced by Dino de Laurentiis. I flew down to Rome with my script and spent a lot of time with Fellini while we waited for Kurosawa, who finally couldn't leave Japan because of his health, so the project went belly-up. Fellini was about to finish Satyricon. I spent a lot of time in the studio and saw him work. I loved him both as a director and as a person, and I still watch his movies, like La Strada and that childhood rememberance - what's that called again?

The interviewer has also seen the movie several times, but just now the title slips his mind. Bergman laughs delightedly. Bergman: Great that you're also a bit senile! That pleases me. (Later the same day, several hours after the interview, the phone rings. It's Bergman. 'AMARCORD!' he shouts.)"
daqui

Um Pequeno Gesto: Postais de Natal 2009

"Este ano, faça o seu Pequeno Gesto natalício enviando Postais Um Pequeno Gesto na sua empresa. Num só gesto, espalhe a palavra sobre a UPG, faça uma contribuição para a nossa causa e deduza ainda o donativo ao abrigo da Lei do Mecenato.
4 formatos à sua escolha em quantidades flexíveis, a partir de 50 postais (40 euros)! Cada maço de 100 postais custa apenas 80€, incluindo envelopes! Pacotes personalizados também disponíveis a pedido."

mais informação aqui. o blogue, aqui. não custa assim tanto..



clicar na imagem para aumentar

o outro lado de "We don't want false, polished, slick films"

1. 2. 3. 4. 5. 6.


também podia ser o Tim Burton, mas nem entro por aí.

Bergman's eleven all time favourite films: (daqui)

The Circus (Charles Chaplin, USA 1928)

Port of Shadows (Quai des brumes, Marcel Carné, France 1938)

The Conductor (Dyrygent, Andrzej Wajda, Poland 1979)

Raven's End (Kvarteret Korpen, Bo Widerberg, Sweden 1963)

The Passion of Joan of Arc (La passion de Jeanne d'Arc, Carl Th. Dreyer, France 1927)

The Phantom Carriage (Körkarlen, Victor Sjöström, Sweden 1921)

Rashomon (Akira Kurosawa, Japan 1951)

The Road (La Strada, Federico Fellini, Italy 1954)

Sunset Blvd. (Billy Wilder, USA 1950)

Two German Sisters (Die bleierne Zeit, Margarethe von Trotta, BRD 1981)

Andrei Rublev (Andrei Tarkovsky, Soviet Union 1969)

Thursday, November 19, 2009

Meshes of the Afternoon (1943)

que vi há dois anos e a que perdi o rasto entretanto. afinal: Meshes of the Afternoon de Maya Deren e Alexander Hammid. para ver antes de the New American Cinema. Kenneth Anger e Stan Brakhage.



página nos Auteurs.

- - -
The First Statement of the New American Cinema Group
September 30, 1962

"In the course of the past three years we have been witnessing the spontaneous growth of a new generation of film makers—the Free Cinema in England, the Nouvelle Vague in France, the young movements in Poland, Italy, and Russia, and, in this country, the work of Lionel Rogosin, John Cassavetes, Alfred Leslie, Robert Frank, Edward Bland, Bert Stern and the Sanders brothers.

The official cinema all over the world is running out of breath. It is morally corrupt, esthetically obsolete, thematically superficial, temperamentally boring. Even the seemingly worthwhile films, those that lay claim to high moral and esthetic standards and have been accepted as such by critics and the public alike, reveal the decay of the Product Film. The very slickness of their execution has become a perversion covering the falsity of their themes, their lack of sensibility, their lack of style.

If the New American Cinema has until now been an unconscious and sporadic manifestation, we feel the time has come to join together. There are many of us—the movement is reaching significant proportions—and we know what needs to be destroyed and what we stand for.

As in the other arts in America today—painting, poetry, sculpture, theatre, where fresh winds have been blowing for the last few years—our rebellion against the old, official, corrupt and pretentious is primarily an ethical one. We are concerned with Man [sic]. We are concerned with what is happening to Man [sic]. We are not an esthetic school that constricts the filmmaker within a set of dead principles. We feel we cannot trust any classical principles either in art or life.

1. We believe that cinema is indivisibly a personal expression. We therefore reject the interference of producers, distributors and investors until our work is ready to be projected on the screen.

2. We reject censorship. We never signed any censorship laws. Neither do we accept such relics as film licensing. No book, play or poem—no piece of music needs a license from anybody. We will take legal action against licensing and censorship of films, including that of the U.S. Customs Bureau. Films have the right to travel from country to country free of censors and the bureaucrats' scissors. United States should take the lead in initiating the program of free passage of films from country to country.

Who are the censors? Who chooses them and what are their qualifications? What's the legal basis for censorship? These are the questions which need answers.

3. We are seeking new forms of financing, working towards a reorganization of film investing methods, setting up the basis for a free film industry. A number of discriminating investors have already placed money in Shadows, Pull My Daisy, The Sin of Jesus, Don Peyote, The Connection, Guns of the Trees. These investments have been made on a limited partnership basis as has been customary in the financing of Broadway plays. A number of theatrical investors have entered the field of low budget film production on the East Coast.

4. The New American Cinema is abolishing the Budget Myth, proving that good, internationally marketable films can be made on a budget of $25,000 to $200,000. Shadows, Pull My Daisy, The Little Fugitive prove it. Our realistic budgets give us freedom from stars, studios, and producers. The film maker is his own producer, and paradoxically, low budget films give a higher return margin than big budget films.

The low budget is not a purely commercial consideration. It goes with our ethical and esthetic beliefs, directly connected with the things we want to say, and the way we want to say them.

5. We'll take a stand against the present distribution—exhibition policies. There is something decidedly wrong with the whole system of film exhibition; it is time to blow the whole thing up. It's not the audience that prevents films like Shadows or Come Back, Africa from being seen but the distributors and theatre owners. It is a sad fact that our films first have to open in London, Paris or Tokyo before they can reach our own theatres.

6. We plan to establish our own cooperative distribution center. This task has been entrusted to Emile de Antonio, our charter member. The New York Theatre, The Bleecker St. Cinema, Art Overbrook Theatre (Philadelphia) are the first movie houses to join us by pledging to exhibit our films. Together with the cooperative distribution center, we will start a publicity campaign preparing the climate for the New Cinema in other cities. The American Federation of Film Societies will be of great assistance in this work.

7. It's about time the East Coast had its own film festival, one that would serve as a meeting place for the New Cinema from all over the world. The purely commercial distributors will never do justice to cinema. The best of the Italian, Polish, Japanese, and a great part of the modern French cinema is completely unknown in this country. Such a festival will bring these films to the attention of exhibitors and the public.

8. While we fully understand the purposes and interests of Unions, we find it unjust that demands made on the independent work, budgeted at $25,000 (most of which is deferred), are the same as those made on a $1,000,000 movie. We shall meet with the unions to work out more reasonable methods, similar to those existing off-Broadway—a system based on the size and nature of the production.

9. We pledge to put aside a certain percentage of our film profits so as to build up a fund that would be used to help our members finish films or stand as a guarantor for the laboratories.

In joining together, we want to make it clear that there is one basic difference between our group and organizations such as United Artists. We are not joining together to make money. We are joining together to make films. We are joining together to build the New American Cinema. And we are going to do it together with the rest of America, together with the rest of our generation. Common beliefs, common knowledge, common anger and impatience binds us together—and it also binds us together with the New Cinema movements of the rest of the world. Our colleagues in France, Italy, Russia, Poland or England can depend on our determination. As they, we have had enough of the Big Lie in life and the arts. As they, we are not only for the new cinema: we are also for the New Man [sic]. As they, we are for art, but not at the expense of life. We don't want false, polished, slick films—we prefer them rough, unpolished, but alive; we don't want rosy films—we want them the color of blood."

MJ

do you know who sings better than absolutely everyone?
...
it's the angels, they sing so well...
no it's not!
so who is it?
it's Michael Jackson!

"Red-End and the Seemingly Symbiotic Society"

"Red-End and the Seemingly Symbiotic Society" de Robin Noorda e Bethany de Forest. gostei do título deste filme que cai na categoria do stop-motion mas que recorre a tantas outras coisas que é difícil dizer onde começa cada um dos meios. a sociedade que parece simbiótica mas que não é, um tema presente numa grande parte do trabalho artístico actual em todas as áreas, massa, despersonalização, grupo, tecnologia, rede. afinal ainda um incentivo à diferença, ou à revolução, o indivíduo contra a sociologia (conclusão muito minha). se o conteúdo tem já dois séculos, a imagem é quase totalmente diferente, apoiada pelo som, cenários virtuais e o peso de um enorme trabalho que se adivinha. a revolta deu frutos.


para apreciar no contexto do que se passa na Holanda a todos os níveis da arte, particularmente quando aliada à tecnologia. aqui, o site do cinema holandês. aqui o site da Morphosis de Robin Noorda.



e a história do realizador, já que as coisas não acontecem por acaso. just like accidents.

"Already at the age of ten Robin Noorda started to make drawings and photos for his portfolio meant for the submission to the art academy. At sixteen he had his first exhibition and was involved with the underground comic magazine ‘Speedo’.

At the end of his traineeship at NOS broadcast design department, at the age 22, he started free lancing while being overwhelmed by assignments for TV design and animations. Due to the fact his career already started, he was not able to finish his last year at the Rietveld Academy and had to give up his place at the Rijks Academy where he was just admitted.

At that time he also started, together with the painter Bob van Walderveen and philosopher Alfred Marseille, the art movement ‘Tropism’, that existed for ten years and had many successful exhibitions and manifestations in the Netherlands and abroad.

In 1984 he was the first Dutch animator to get involved with computer animation. With four creative colleagues (Gijs Bannenberg, Jeroen Buys, Adriaan Lokman and Léon Wennekes) he pioneered, designed, choreographed and animated the first commercial computer animations in the Netherlands at the Antics Studio Amsterdam. In 1986 he founded his Own company Morphosis with three of the Antics team. Morphosis grew to a leading position in TV design and computer animation in Holland and also produced for Belgian, German and some British broadcasters. Besides design, Morphosis took on complete productions such as corporate films and the company grew further. In the nineties Noorda found himself doing more paperwork than hands on designing work and decided to downsize the company. After ten years gradually all partners and employees have went their own way, he introduced the formula of working with a fixed team of free lancers and other small companies in the field, thus creating more time for his other ambitions: independent films, autonomous art and experimental media projects. He published some monographs. Besides production work and art, he teaches at a range of art academies and institutes, promoted numerous final exam works, was advisor of the Dutch Film Fund, animation department and is currently advisor of the Flemish Animation Film Fund."

e as PINHOLE PICTURES, de Bethany de Forest. a ver. a imagem já está toda lá.



Wednesday, November 18, 2009

Um Pequeno Grande Gesto: Infantário Ludovina Vicente

partes do Relatório de Setembro 2009.

1. Descrição do Projecto: Infantário Ludovina Vicente
Projecto de construção de novas instalações para efeitos de dormitórios e espaço de refeições para as crianças em idade pré-escolar pertencentes ao projecto de Apadrinhamento do Orfanato de Chiaquelane. Capacidade de 20 crianças

2. Localização: Aldeia de Chiaquelane, Distrito de Chókwè, Província de Gaza

3. Área de Actuação: Infra-estruturas

4. Principais alvos: Crianças infectadas pelo HIV

5. Número de Pessoas Abrangidas:
O Orfanato de Chiaquelane conta em Setembro de 2009 com 67 crianças. Destas, 25 têm os seus quartos no edifício do Berçário. Como forma de supervisionar as crianças durante a noite, três mamãs pernoitam também no edifício.

6. Contexto
A Um Pequeno Gesto tem desde 2005 um projecto de Apadrinhamento no Orfanato de Conhane/ Chiaquelane. Começámos com apenas 33 crianças mas as necessidades locais determinaram (e continuam a determinar) aumentos consecutivos até 70 crianças em 2008. Uma proporção cada vez maior destas crianças são crianças em idade pré-escolar, frequentemente bébés, pelo que a Irmã Isaura pediu o apoio da UPG para poder dar o mínimo de condições a estas crianças.

7. Objectivos:
Continuar o trabalho desenvolvido pela Irmã Isaura começado no Orfanato em Conhane e fortalecer o apoio dado pelo projecto de Apadrinhamento da UPG. Permitir um crescimento mais seguro às crianças, com condições de segurança e higiene maiores e melhores.

8. Resultados
A conclusão deste novo edifício veio trazer novas possibilidades ao actual orfanato, permitindo acolher as crianças mais novas sob um tecto e dando-lhes uma cama para dormir. Adicionalmente, foi possível transferir todas as crianças que permanecem a tempo inteiro no Orfanato para Chiaquelane. As antigas instalações de Conhane ficam situadas em leito de cheio do Rio Limpopo e havia a necessidade de se efectuar a mudança para “terras mais altas”. Os terrenos onde se encontravam as instalações não eram propriedade das Irmãs e arriscavam expropriação e já não ofereciam as condições mínimas para albergar as crianças. As actuais instalações oferecem ao Orfanato condições de segurança para permitir o descanso e sono das crianças mais novas, assim como espaços de entretenimento e higiene a todas as crianças.

9. Descrição detalhada do Projecto
Edifício único com as seguintes divisões: balneário, casas de banho, dois dormitórios (um como berçário e outro como quarto tipo camarata), uma suite para voluntários e convidados, uma sala polivalente (neste momento serve como sala de entretenimento e como sala de refeições), uma cozinha e 2 espaços para arrumos. Foi terminado recentemente o sistema de canalização (externa) que permitirá à casa ter água corrente. A energia eléctrica é fornecida a partir de um gerador externo. Os painéis solares actuais não fornecem ainda potência suficiente.

















em querendo ajudar, as opções são muitas,

e enquanto se espantam os espíritos mais sensíveis

uma pequena publicidade desnecessária à fantástica composição de Babette. ler. ver. e comer por fim. uma ideia recreativa para quem adora detalhes. e que pena tenho de não ir.

"Man shall not merely refrain from but also reject, any thought of food and drink. Only then can he eat and drink in the proper spirit."

unrelated title (não é literatura é coca-cola)

sexo engarrafado
sexo de grande superficie, continente
sexo de plástico
sexo lidl
sexo com promoção
sexo o preço certo
linha de fabricação
sexo instantâneo
só misturar água
quem quer

un-stills

--

(imagens de Pedro Quintas, 2009)
talvez tivesse de andar desta maneira, talvez tivesse de desaguar em over-musing, em excesso de ideias. excesso de ideia, artifício para chocar, reacção imediata e passageira, sugestão de um mais que nunca chega e que no linear quer dizer três pontos. angústia do link. ao fim e ao cabo, prefiro o que é mais redondo pesado fundo escuro com borras fundo fundo.


a propósito das Moving Pictures de Pedro Quintas que mais uma vez me fizeram recordar o projecto Flâneur. fotografia em movimento. movie stills. fotografia animada. filme fotográfico. movie paintings. graphic movie, graphic photos. movie poems. os meios andam a sobressaltar os finais. e nem vejo que o virtuosismo seja pecado.

ler com os olhos e não podia

"se arranjasse uma esposa e acho que era capaz, olhava por mim, metia as almofadas nas fronhas eu que não consigo metê-las, sobra sempre um bocado que não entra, peço

- Tem paciência
e os botões da fronha a estalarem, acendia o esquentador que comigo não trabalha logo ao primeiro fósforo, punha a casa a viver, corrijo o que disse, se conhecesse uma mulher não era capaz e não sou homem tão pouco, não adivinho o que sou, espero que nos arbustos o freguês antes de mim
(uma ocasião dei com uma gaivota doente a ver subir as outras, quando estiver mais fraca as colegas despedaçam-na num rufo, eis o que se designa por vida)
descubra um caminho com mais buxos para desaparecer sem que o notem, provavelmente uma esposa, esse, a introduzir as almofadas nas fronhas numa simplicadade de milagre, porque terão as mulheres os gestos assim fáceis"
no Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, A. Lobo Antunes

e quem pode.
(e os velhos, que não vêem senão dentro da cabeça, tudo ao último detalhe, o brilho daquele ouro, como o pano passava no chão e as falhas da madeira. o cheiro da cera)

Monday, November 16, 2009

uma coisa elegante, com fundo moral e que fica bem.

unrelated title. as imagens de Love in the White City, de Clive Holden, que não fica bem em qualquer sala. em certos aspectos faz retornar ao projecto Flâneur.









voltamos

"Indians scattered on dawn's highway bleeding Ghosts.."

a voz e a história. se Morrison tivesse imagem seria talvez esta. um projecto que vou ver na íntegra nos Auteurs. o site, aqui. só pela descrição eu já lá estava: " Holden’s film attempts to transport viewers though a unique 21st Century landscape by presenting them with a wide array of contrasting visions that truly could not have existed together at any other point in time".




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nos Auteurs, incluindo diálogo com o autor, Clive Holden. o site, Trains of Winnipeg.

"In the summer of 1982, during a visit to the filmmaker’s hometown, he witnessed the murder of a teenage girl – killed by a sniper on a quiet, suburban street, in the middle of the afternoon. He returned a year later to lie with his camera on the spot where she died, and to roam the neighbourhood searching for footage.

The title of this film comes from the oft-quoted statistic that the average sixteen-year-old has witnessed 18,000 murders, on TV and at the movies. ‘Gordon Head’ is the Canadian suburb where the film takes place.

The original footage for '18,000 Dead in Gordon Head' was shot in Super 8 film. However, before it could be edited the footage was lost, and it wasn't until twenty years later that a crude VHS video dub was found. This wrecked, out-of-sync and damaged footage, with its strobing, water colour-like hues, was evocative of the filmmaker’s marred and murky memories of the original event. It inspired the writing of a narrative poem, and finally formed the basis of this completed 35mm film.

In 1982, as remarkable as the girl’s sudden death was, the young filmmaker also found it devastatingly normal. He’d, "already seen it, thousands of times." The state of shock that it engendered, was simply more of the same, a state of mind very familiar. As was the ensuing series of violent events that he went on to witness – until... a small, positive action broke the spell.

'18,000 Dead in Gordon Head' is partly a treatise on the omnipresence of violence in contemporary culture, even (or some would say especially) in the banal context of a Canadian suburb. Composed as a poem, the final work is a hybrid of several film stocks and video formats, processed to create a kinetic, lyrical collage of textures, loops, rhythms and visual rhymes, and in the end finally completing the work’s cycle back to its originally intended film format.

Music by Jason Tait." daqui. the lyric in film, na Scope, aqui.

cinanima09: French Roast




o site. o blog. e que interessante, Character Design. Prémio José Abel para este French Roast realizado por Fabrice Joubert e produzido pelos estudios Bibo Films.

e enfrentando alguns dilúvios e a vontade molhada dos deuses para chegar aos filmes vencedores de mais um Cinanima, festival magnífico da animação. entre a sessão dos vencedores e a lista de filmes concorrentes do excelente programa fica um espaço grande: há tantos filmes que gostaria de ter visto. este ano tive a sensação nítida de que a animação está a mudar profundamente e que, como todas as outras áreas, se torna cada vez mais tecnológica, sofisticada, esforço de equipa. uma espécie de trabalho científico. se este French Roast foi o filme que achei mais simpático, surpreendi-me com o Acidente e concordei com o primeiro prémio para The Spine.
(em nota transversal fica a minha admiração por se levarem crianças a esta sessão. este ano, como em anteriores, não sei se havia um filme sequer que fosse adequado a crianças. pelo conteúdo, pela linguagem, pela violência. persistir em associar animação à infância é fonte dos maiores mal-entendidos, incluindo o relegar o filme animado para um segundo plano de entretenimento infantil. mudar esta atitude e soltar a animação deste quadro seria o princípio de alguma coisa mais profissional no nosso país.) o meu tchin-tchin vai mesmo para André Marques e Carlos Silva, a dupla de O Acidente.

mais sobre o Cinanima09 no sapo cinema.

alguns detalhes sobre Fabrice O. Joubert.

"Q. How long did the project take to complete?
First there was a stage of development which consisted of me writing and story-boarding, and Nicolas Marlet creating the designs of the characters. Then it took a full year to make the film, with a team of 65 artists and technicians." e

"Fabrice O.Joubert bought this story to life with beautiful visual appeal and simplicity. Fabrice has worked as a traditional and CG animator from 1997 to 2006, at DreamWorks on
* The Prince of Egypt (1998),
* The Road to El Dorado (2000),
* Spirit : Stallion of the Cimarron (2002),
* Sinbad, Legend of the Seven Seas (2003),
* Sharktale (2004) and
* Flushed Away (2006).

In 2005, he animated on the stop-motion feature Wallace & Gromit : Curse of the Were-Rabbit » directed by Nick Park (Aardman Studios)."

entrevista longa, aqui.

afinidade

Sunday, November 15, 2009

colecção

as imagens-esqueleto. a luz de Caravaggio.

Saturday, November 14, 2009

na trama

Na Trama esta manhã para a apresentação do Animalário Universal do Professor Revillod da Orfeu Negro, onde antes tinha estado para o lançamento do livro do meu irmão (esperando que em breve lá regresse pela mesma razão). Cheio a abarrotar de crianças e quem as quis acompanhar. A Trama merece tudo (e mais alguma coisa), a Orfeu Negro também. e gostei do livro. eu e eles que pareceram aliviados quando perceberam que o livro era para trazer para casa. ("LIVROS PARA CRIANÇAS QUE NÃO FAZEM MAL AOS ADULTOS. LIVROS PARA ADULTOS QUE NÃO FAZEM MAL ÀS CRIANÇAS", descritiva da Orfeu Mini). e enquanto desfilavam animais fantásticos, eu lançava o olho cobiçoso às prateleiras.





balcão

limpando a memória

à chuva

com as imagens dou uma margem ("a cozinha de um país define a essência da sua identidade")

com as palavras é que já não é possível: "Tessa Kiros acredita que a cozinha de um país define a essência da sua identidade - uma manta de retalhos de pessoas, cultura, língua e música. Quando trouxe a sua família para viver e viajar por Portugal, Tessa ficou fascinada com a serenidade deste país antigo e encantada com a maneira tradicional de se fazerem as coisas. Portugal tem tudo aquilo de que ela gosta, os mercados, o mar, as pousadas antigas e deslumbrantes, mas ela teria vindo apenas pelos pastéis de nata. Em Sabores e Cozinha - Ao Encontro de Portugal, Tessa "borda" as receitas deste país de loureiro, bacalhau e piripiri com cores e fios únicos."
contando as que não gostei. mas deu-me que pensar a Portugalidade encenada. (aqui uma crítica mas consistente do que a minha matemática)







 
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